E se os candidatos às europeias discutissem coisas que interessam aos cidadãos?

Publico-20140511Uma boa ideia era o PS convidar este senhor- Philippe Legrain, ex-conselheiro de Durão Barroso –  para vir a Portugal no dia das eleições europeias, 25 de Maio, fazer uma conferência, se possível num local perto da conferência da troika marcada também para esse dia. Assim, os jornalistas podiam cobrir as declarações de Lagarde, Barroso e Draghi e confrontá-las com as declarações que este ex-conselheiro de Durão Barroso faz hoje ao Público sobre o escândalo e o desastre que foram e continuam a ser as políticas aplkicadas a Portugal e à Grécia.

Entretanto, os candidatos às europeias podiam interromper a  guerrilha partidária e discutir questões como as que são colocadas nesta entrevista.

Eis um excerto das declarações do ex-conselheiro de Barroso à correspondente do Público em Bruxelas:

“(…) o que começou por ser uma crise bancária que deveria ter unido a Europa nos esforços para limitar os bancos, acabou por se transformar numa crise da dívida que dividiu a Europa entre países credores e países devedores. E em que as instituições europeias funcionaram como instrumentos para os credores imporem a sua vontade aos devedores. Podemos vê-lo claramente em Portugal: a troika (de credores da zona euro e FMI) que desempenhou um papel quase colonial, imperial, e sem qualquer controlo democrático, não agiu no interesse europeu mas, de facto, no interesse dos credores de Portugal. E pior que tudo, impondo as políticas erradas. Já é mau demais ter-se um patrão imperial porque não tem base democrática, mas é pior ainda quando este patrão lhe impõe o caminho errado. Isso tornou-se claro quando em vez de enfrentarem os problemas do sector bancário, a Europa entrou numa corrida à austeridade colectiva que provocou recessões desnecessariamente longas e tão severas que agravaram a situação das finanças públicas. Foi claramente o que aconteceu em Portugal.”

A entrevista contém argumentos que não deviam deixar indiferentes os defensores da troika e das suas políticas. Mas se os políticos não os discutem que ao menos os jornalistas não os deixem passar em claro.

 

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2 respostas a E se os candidatos às europeias discutissem coisas que interessam aos cidadãos?

  1. Philippe Legrain procura deixar o seu testemunho sobre a crise das dividas soberanas que assolou os países do Sul. Enquanto conselheiro de Durão Barroso não conseguiu influenciar o Presidente da CE, e este, nem se terá dado ao trabalho de aconselhar Angela Merkel., que é de facto quem manda. Legrain deixa em livro a sua opinião para a posteridade. Uma decisão que merece aplausos, pois trata-se de um testemunho importante, e factual. Sem desvios nem mentiras, apenas a realidade dos fatos.

  2. J. Madeira diz:

    Chama-se a essa proposta, ir contra a corrente … e, não pode ser!
    Portugal nos tempos de governação de Cavaco foi tido como o bom
    aluno da Europa, recebendo dinheiro para destruir/desistir das suas
    valias do sector primário ( agricultura e pescas)! Nos dias que correm
    temos um des-governo que abdicou de ter voz na Europa a troco de
    empréstimos e, à pala disso, destruir todo o legado do Abril de 74 em-
    purrando-nos para o antes da Revolução!
    A continuar com as actuais lideranças e, se não houver uma volta de
    180º nas políticas económicas e sociais a Europa como comunidade
    desaparecerá … não vou ao ponto de pensar em guerra!!!

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