O spin-doctoring em tese académica

“(…) O spin doctoring revela grandes resultados para quem o aplica, o que se explica, por um lado, pelo facto de as empresas de comunicação social
dependerem cada vez mais de informações e eventos produzidos (subsidiados)
exclusivamente para elas; e, por outro, pelo facto de esta atividade contornar as já gastas, obsoletas, redundantes e pouco eficazes técnicas tradicionais de assessoria de imprensa (conferências de imprensa, press releases, press kits,
etc…). Daí que o spin doctoring seja utilizado não só para promover políticos,
partidos e governos mas também empresas, marcas e produtos;

(…) o spin doctoring é uma atividade amplamente praticada em Portugal. Surge nos inícios dos anos 90, a par com o aparecimento das televisões privadas e do boom jornalístico que se fazia sentir. Contudo, (…) tanto o spin doctoring governamental como o partidário
não têm o Parlamento como epicentro, nem são realizados maioritariamente pelos assessores de imprensa dos grupos parlamentares. Aliás, os spin doctors que mais ativamente intervêm no Parlamento são os próprios políticos.

(…) Alguns métodos obscuros do spin doctoring estão na origem de muitas das perversões, os quais têm reflexos negativos na qualidade da democracia e da informação.  (…) , a ‘matriz’ de atuação dos spin doctors portugueses vai desde o aconselhamento político e a monitorização dos media, até a ações menos ortodoxas, como o bullying, intimidação e pressão sobre os jornalistas, as “fugas-plantadas”, o uso dos graus de confidencialidade e as campanhas negras como armas de arremesso. Contudo, muitos destes métodos têm, por vezes, um efeito boomerang sobre quem os pratica – os spin doctors – ou os cauciona – os governos, os partidos ou os políticos individualmente considerados.(…)”

(Excerto das conclusões da dissertação de doutoramento de Vasco Ribeiro, defendida e aprovada na Universidade do Minho,  segunda-feira passada)

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