Na sala de espera….

mobile-appsA ampla sala de espera estava cheia.  Cheguei em cima da hora da consulta e antevi que a espera seria longa. Por azar, não levei o iPad e o telemóvel estava sem bateria.  Sobrava-me um livro, porém de tema árido para leitura numa sala de espera.

Há gente  que entra e sai, vozes que vão chamando pelo microfone os pacientes para as respectivas consultas. E há  quadros electrónicos nas paredes que dão sinal sonoro cada vez que se consuma um atendimento e se chama o seguinte.

Sem capacidade para me concentrar na leitura, comecei a observar as pessoas à minha volta. A sala de espera organiza-se em espaço aberto num dos recantos do enorme  e labiríntico hospital da Luz. As pessoas aguardam, sentadas em pequenas e confortáveis poltronas. A arquitectura da sala permite uma visão ampla do ambiente.

Há gente de todas as idades, é o sector de ortopdedia, jovens com canadianas, pés torcidos, ou pernas partidas, braços ao peito, homens e mulheres acompanhantes uns dos outros, algum deles tem uma ou duas canadianas, um gesso em qualquer parte do braço, da perna, do pé, uma ligadura ou nada que se veja.

Todos têm um telemóvel  no qual digitam,  lêem ou falam. Há também quem tenha um iPad e outros acumulam o telemóvel com iPhone. A meu lado, um casal com alguma idade  (não descubro qual dos dois vai consultar o ortopedista) ostenta cada um o seu telemóvel mas  ambos partilham a leitura do telemóvel do outro. Riem e discutem o que lêem. Ela mostra maior agilidade digital, os dedos deslizam no o écran.

Uma jovem de canadianas, sentada do meu outro lado, digita furiosamente num LG enquanto a Mãe (deduzo o parentesco  pela parecença física) se entrega a passar para o iPad um texto escrito numa folha que retira de um caderno.

Na sala de espera há apenas um homem que lê o jornal A Bola e uma mulher que dormita sobre um livro.

E eis que pelo microfone uma voz chama pelo meu nome, sinal de que chegou a minha vez de ser atendida. Passou uma hora e meia desde que cheguei. Não foi tempo perdido, sempre deu para uma observação empírica de como o digital tomou conta dos nossos momentos de espera e de como estes podem  afinal tornar-se também momentos de lazer.

A ver se para a próxima levo também os meus gadgets.

 

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