Uma campanha eleitoral não é um casting para a escolha do melhor palhaço

42-16906297A cobertura jornalística da campanha eleitoral é da exclusiva responsabilidade dos jornalistas. Não há sobre isso qualquer dúvida. Ninguém obriga os jornalistas a andarem atrás dos candidatos de microfone em punho e câmara de televisão ao ombro à procura do primeiro dichote de um  candidato ou da primeira escaramuça que um outro consiga provocar.

Os “casos” da campanha que têm marcado a cobertura jornalistica são mais da  responsabilidade de  quem os reporta do que de quem os provoca. Porque quem os provoca, os políticos, sabem que eles lhes dão visibilidade, atentas as lógicas de funcionamento dos media. Escusam pois de  se queixarem uns dos outros.

Experimentem os jornalistas em próximas campanhas (esta está perdida) não ficarem cativos das acções de campanha, sejam arruadas ou comícios, jantares ou visitas a lares de terceira idade. Experimentem criar uma agenda temática com conteúdos relevantes para a vida dos cidadãos e confrontarem  os candidatos com  soluções e iniciativas.

Sejam eleições para o parlamento europeu ou  para o parlamento nacional é inaceitável que a cobertura das campanhas se cinja à mascarada a que temos assistido com a guerrilha verbal entre candidatos do PSD e do CDS de um lado, e do PS de outro.

Mais insólito e revelador da indigência política e intelectual a que chegou o discurso eleitoral é ainda o facto de o grande protagonista desta campanha, o alvo privilegiado do ataque dos candidatos da maioria governamental ser José Sócrates, o fantasma que  atormenta Portas e Rangel. Bastou saber-se que Sócrates vai surgir na campanha para fazer saltar  a “tampa”  à  Aliança Portugal.

Seria pois importante que os jornalistas cumprissem  as suas funções e perguntassem aos candidatos alguma coisa substantiva em vez de se limitarem a segui-los e a colocar-lhes o microfone à frente da boca à espera do soundbite que sair.

Uma campanha  eleitoral não é um casting para a escolha do melhor palhaço. Se os candidatos não têm nada para dizer aos cidadãos sobre como pensam exercer as funções para as quais pretendem ser eleitos, que ao menos os jornalistas os confrontem com essa realidade.

 

 

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Imprensa, Jornalismo. ligação permanente.

Uma resposta a Uma campanha eleitoral não é um casting para a escolha do melhor palhaço

  1. Olga Leite diz:

    E o palhaço é…… Pela primeira vez na minha vida não votarei. Estou cansada deste circo, porque dos circos a sério eu aprecio. Partilho na íntegra a opinião de Estrela Serrano.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s