Uma campanha tão má só podia dar nisto…

Brasão da RepúblicaO que dizer destas eleições em Portugal e na Europa? Como interpretar a enorme abstenção em Portugal (mais de 66%) e  a vitória dos “extremos” em França e na Grécia? Como justificar a vitória de Marinho Pinto num partido que presumivelmente não chegaria a 1% e conseguiu agora mais  de 7%? E que dizer da não eleição de Rui Tavares, um dos deputados europeus mais criativos e dedicados? E sobre a  magra vitória do PS apesar de uma lista forte?

Apenas três resultados eram esperados: a derrota da coligação PSD/CDS, a subida do PCP e o apagamento do Bloco de Esquerda.

Nos discursos dos candidatos e dos seus líderes na noite eleitoral  encontramos respostas para quase  todas estas questões. Ouvir Passos dizer que nada muda e o caminho é para continuar, e Portas a teorizar sobre vitórias e derrotas eleitorais, qualquer deles sem claramente assumirem as consequências da votação obtida; ouvir Seguro e Assis falarem em “estrondosa” vitória do PS,  num resultado vencedor, sim, mas longe de “estrondoso” (uma diferença de menos de 4% de votos, da maioria governamental) é desmotivador da confiança nos partidos e nos políticos para quem pensa que as palavras têm um sentido e devem ser levadas a sério ainda que no debate político eleitoral quase tudo pareça ser permitido e aceite.

A campanha foi o desastre que se viu. Agressões verbais entre candidatos e pouco mais. Discursos gostos, cobertura televisiva medíocre, nada de substancial foi discutido talvez porque nada de substancial os candidatos e seus líderes tinham para dizer que levasse os portugueses a pensarem que valia a pena votarem…e votarem neles, isto é, nos mesmos.

A eleição de Marinho Pinto é talvez sinal de cansaço e ao mesmo tempo de expectativa e de esperança de escolher alguém que tem voz e a usa com vigor em defesa de ideias, sem compromissos com os poderes vigentes,  capaz de desafios e até mesmo de  excessos. Concorde-se ou não com as posições de Marinho Pinto, há que reconhecer-lhe o mérito desta eleição que se deve precisamente à visibilidade que conseguiu e às posições frontais que sempre assumiu.

Também a não eleição de Rui Tavares, não obstante a qualidade das suas intervenções públicas, o trabalho e as causas em que se empenhou no Parlamento Europeu, merece reflexão sobre a viabilidade de um novo partido numa área já muito fragmentada.

Seria normal que nada ficasse como antes. Mas em Portugal as coisas acontecem mas é como se não acontecessem…Uma campanha tão má só podia dar nisto.

 

 

 

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2 respostas a Uma campanha tão má só podia dar nisto…

  1. O primeiro ministro incitou os jovens a emigrar, portanto se emigraram e não puderam votar estavam á espera de quê

  2. Paulo Rato diz:

    Não houve 66% de abstenção. Mas de uma coisa tenho a certeza (que todos os jornalistas e comentadores deveriam também ter): a percentagem foi assaz menor; quão menor é que é algo de mais nebuloso. Enquanto as listas eleitorais não forem actualizadas e se mantiveram atafulhadas de falecidos e emigrados, estes cálculos simplesmente não existem, são irreais, não passam de mera fantasia. Não pode haver 9 milhões de eleitores numa população de 10 milhões! Mesmo com o crescimento da população mais idosa e a baixa natalidade, trata-se de um número impossível, que está, inegavelmente, longe da realidade. Passei mais uma noite eleitoral a acompanhar as “coberturas televisivas” e a impacientar-me com a repetição “ad nauseam” de considerações muy preocupadas sobre a “subida da abstenção” e a sua enormidade e a enorme diferença em relação à “média europeia” e…, sem que um único jornalista referisse a base errónea dos números que eram despejados nos computadores dos diversos canais e a impossibilidade de, sobre eles, elaborar qualquer cálculo aceitável ou tirar uma conclusão minimamente credível. Dos outros intervenientes, só um ou dois comentadores – que eu visse – se referiram a esse aleijão estatístico, mas nenhum dos restantes companheiros da tertúlia televisiva que integravam deu sinais de estar interessado em, sequer, pensar sobre o assunto… Claro que a participação dos cidadãos em eleições parece longe de ser satisfatória, pelo que a “abstenção” também me preocupa, mas gostaria de a poder quantificar com exactidão, para definir a espessura e as fronteiras da minha preocupação… Dado que o problema se mantém pujantemente inalterável e irresoluto desde há largos anos, no decurso dos quais várias eleições se sucederam, suspeito de que qualquer analista sério está impossibilitado de afirmar se a abstenção aumentou, se manteve ou, até (não é nada improvável!) diminuiu! E este é, apenas, um dos problemas (ainda que dos mais graves) decorrentes da irresponsabilidade instalada entre quem tem a tarefa – urgente, senhores! – de actualizar os cadernos eleitorais…

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