O candidato “inviável”, Marinho Pinto, não precisou das televisões para se tornar viável.

Festa na sede de Marinho PintoJá se disse quase tudo sobre quem ganhou e quem perdeu nestas eleições e mesmo quem ganhou perdendo e quem perdeu ganhando. Não vou, pois, repetir outros e repetir-me a mim própria.

Mas há também quem não tendo ido a votos perdeu. Refiro-me às televisões, mais concretamente, aos canais generalistas.

Vejamos:

As televisões generalistas não fizeram debates para não terem de convidar os pequenos partidos, por exemplo, o MPT, o partido que mais subiu e fez eleger Marinho e Pinto, a maior surpresa das eleições portuguesas. Se tivesse havido debates televisivos com critérios exclusivamente editoriais, o MPT não teria assento nesses debates porque o seu score eleitoral não chegava a 1%. Passou de 7% sem debates e praticamente ignorado pelas televisões.

A coligação Aliança Portugal teve, naturalmente, o maior espaço mediático como mostrou o estudo da Cision publicado pelo Expresso. Isso não evitou a sua queda humilhante. O PS teve também grande visibilidade, sobretudo o líder, António José Seguro, mas isso não lhe deu a vitória que esperava.

A  opção das televisões pelas arruadas e pelo folclore em vez de  um trabalho de esclarecimento sobre os temas europeus e a sua repercussão na vida dos portugueses, confrontando os candidatos com as suas capacidades para o que se espera deles no Parlamento Europeu, revelou-se profundamente errada. A RTP perdeu uma oportunidade de fazer diferente no seu canal generalista. Redimiu-se, só em parte, na noite eleitoral, mantendo a emissão até à publicação dos resultados, como lhe competia.

De facto, o chamado critério da “viabilidade eleitoral” usado pelas televisões  para privilegiarem os candidatos com possibilidade de serem eleitos mostrou a sua falência nestas eleições. O candidato “inviável”, Marinho Pinto, não precisou das televisões para se tornar viável.

É também uma lição e uma oportunidade para os jornalistas reverem  critérios jornalísticos em tempos eleitorais. O desafio que têm pela frente é já daqui a pouco mais de um ano, nas legislativas…

 

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