A disputa pela liderança do PS não é nenhum drama

Seguro e CostaA personalização da política, nomeadamente das campanhas eleitorais é um fenómeno que não é de hoje,  encontrando-se largamente estudado. Os cidadãos não votam apenas em partidos e em programas, votam também em líderes, isto é, escolhem pessoas em quem confiam para executarem determinadas políticas.

Diria que se existe alguma hierarquia na escolha entre um líder e um programa, o líder está primeiro. E isso é ainda mais certo numa época em que as políticas possuem componentes extra-nacionais cada vez mais alargadas e condicionadoras das decisões nacionais.

Daí que a personalidade do líder, a sua experiência e cultura política, a capacidade de liderança, visão do mundo e do país, força anímica, energia e vontade, sejam tão ou mais importantes do que o programa que apresenta aos eleitores. Porque a execução dos programas e das políticas depende em muito da capacidade do líder para as negociar no plano nacional e internacional.

Um país como Portugal (mal) saído de um programa de resgate, com um governo fraco e sem força, interna e externamente, precisa de mudar de políticas. Mas para mudar de políticas necessita de um líder forte, capaz de falar de igual para igual com os parceiros europeus, sem subserviências.

Um líder forte não necessita de criar ou alimentar crispações permanentes e artificiais com os opositores, sejam o governo ou as oposições, como tem acontecido entre o PS e a coligação.  Pelo contrário, deve ser capaz de evitar discussões estéreis, com cordialidade e sem emoções, mas com firmeza e determinação, mostrando o que quer para o País.

A  disputa pela liderança do PS entre António Costa e António José Seguro não é um drama. Pelo contrário, é natural que os socialistas e os cidadãos que não se revêem nos actuais líderes (do governo e dos partidos), apoiem o desejo do PS de encontrar o melhor militante para o liderar depois de 3 anos em que a actual liderança não consegue afirmar-se.

Não têm pois sentido acusações de deslealdades ou traições porque não é traição querer o melhor líder para o partido. E se alguém com o peso político de António Costa dá voz ao descontentamento e à frustração causados pela  vitória apenas tangencial numas eleições, nas quais o líder colocou expectativas elevadíssimas, esse alguém só pode suscitar apoio e regozijo por se prestar a dar corpo e voz a essa esperança.

Seria desastroso para o PS e para o País que António José Seguro se furtasse ao debate e à disputa que lhe são propostos. A sua legitimidade não está em causa nem a sua honestidade e dedicação. Espera-se apenas que reconheça que vale a pena clarificar uma situação que se tornou pantanosa, em grande parte porque ele próprio elevou a fasquia a um nível que não conseguiu atingir.

Chegar às eleições legislativas com o rótulo de ter fugido a um confronto com um adversário interno que muitos consideram ter melhores condições para liderar a mudança no País e no partido, é meio caminho andado para uma derrota.

poucos meses senti a premência deste debate sem saber que ele chegaria em breve.

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