Ainda os despedimentos na Controlinveste

Aos poucos vão-se conhecendo alguns detalhes dos despedimentos na Controlinveste. Um dos critérios parece ter sido despedir quem ganha mais, pelo menos no caso do jornalista da TSF, João Paulo Baltazar, esse foi, segundo o relato do próprio, o motivo invocado, embora  o repórter fotográfico da Global Imagens, Jorge Carmona, que foi também despedido,  ganhasse o salário mais baixo da sua empresa.

Entre os despedidos está também a jornalista do DN, no Funchal, Lília Bernandes, não se sabe com que critério nem quem a substituirá, dado não ser expectável que o DN fique sem  “correspondente” na Região Autónoma da Madeira. Outros nomes, Eurico de Barros e Nuno Galopim. surgiram hoje num artigo de opinião no Público …  

Uma vez que a qualidade profissional das pessoas despedidas cujos nomes são conhecidos até agora não pode ser posta em causa, é legítimo presumir que a preocupação pela qualidade do jornalismo não foi determinante na escolha de quem despedir.

Pondo de parte as habituais teorias da conspiração sempre focadas no mesmo bode expiatório, pode concluir-se que a qualidade do jornalismo já não é o objectivo principal de uma empresa jornalística. Ora, esta é uma questão mais séria do que qualquer outra, isto é, se as empresas e os directores prescindem da experiência e do profissionalismo de quem teria ainda muito a dar ao jornalismo é porque pensam poder sobreviver com menor número de jornalistas e mais mal pagos. 

Temos então de pensar que o jornalismo, enquanto actividade profissional indispensável ao funcionamento da democracia, necessita de um novo enquadramento institucional que não o modelo actual centralizado num grupo/empresa capitalista tradicional, que procura o lucro “vendendo” leitores, ouvintes e telespectadores a  investidores publicitários.

Esta realidade coloca a questão de saber se para o exercício de uma  cidadania plena os cidadãos necessitam ainda de jornalistas e de jornalismo e como é que estes podem fazer a diferença entre, por um lado a informação jornalística e, por outro, o infotainment, o spin-doctoring e o lixo  (seja televisivo ou escrito) e encontrar meios de financiarem essa diferença.

Um primeiro passo para a procura de uma resposta começou a ser dado aqui.

 

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Esta entrada foi publicada em Imprensa, Jornalismo, Sociedade, Sociologia dos Média. ligação permanente.

4 respostas a Ainda os despedimentos na Controlinveste

  1. Obrigado eu, nós, ora essa. Abç. 🙂

  2. RFC diz:

    Os fundamentos da nota de despedimento: post de Carlos Júlio da TSF no blog
    A Cinco Tons, de Évora.

    http://www.cincotons.com/2014/06/os-fundamentos-da-nota-de-despedimento.html

  3. Reblogged this on ergo res sunt and commented:
    Uma análise de leitura obrigatória da Estrela Serrano!

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