O PS e a personalização da liderança

Enquanto decorre a telenovela em que se transformou a disputa da liderança do PS, onde segundo as descrições dos media não faltam insultos de claques  e confrontos físicos,  discutem-se as diferenças e as semelhanças entre Seguro e Costa. O Público dá hoje um excelente contributo para essa discussão.

A tese de que não há diferenças entre os dois opositores interessa sobretudo a Seguro. Contudo, para quem acompanha a actividade política é fácil verificar que as diferenças são enormes, quer de perfil quer de substância.

É claro que tratando-se de membros do mesmo partido as diferenças programáticas não poderão ser profundas e estruturais. De qualquer modo, mesmo do ponto de vista substantivo Costa definiu  já algumas linhas que marcam uma diferença fundamental relativamente à actual liderança: desde logo, o diagnóstico que faz sobre a crise e a situação política nacional e europeia; depois, o facto de enunciar com muita clareza que o País necessita de uma ruptura, não só de políticas mas também de protagonistas. Em terceiro lugar, assumir a herança dos governos socialistas sem constrangimentos nem medo de fantasmas; em quarto lugar, o desafio à  esquerda, em particular ao partido comunista, para sair da  posição (confortável) de outsider do sistema, assumindo compromissos; também quanto à Europa e ao tratado orçamental Costa  mostra-se determinado a recolher apoios para defender a posição de países como Portugal. Já não é pouco. É mesmo muito.

Afirmam alguns apoiantes do secretário-geral que  o perfil dos candidatos não interessa porque “a disputa pela liderança não é um concurso de misses”. Não é um bom argumento porque a personalização das lideranças é um dado inseparável da luta política nas sociedades contemporâneas. Desvalorizar essa componente é confessar fraqueza.

Há pois diferenças, diria enormes, no perfil de Seguro e de Costa. A experiência, a personalidade, o carisma, a capacidade de expôr ideias e de argumentar são mais fortes em Costa. Ele traçou como lema e objectivo  da sua candidatura mobilizar o País, precisamente o que Seguro não conseguiu nestes três anos, como se viu nas últimas eleições europeias.

Reconhecer coisas tão evidentes não é difícil nem significa desvalorizar qualidades e méritos do actual secretário-geral.  Mas o País necessita de um líder que dê sentido aos sacrifícios que estão a ser impostos aos portugueses, que trace um caminho, defina uma estratégia e seja capaz de mobilizar os portugueses para o alcançar.

Costa está a ser capaz de devolver a esperança  e a confiança no futuro do País  e isso é mérito seu. Tão simples como isso.

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