PS: o líder perdeu o discurso

PS sedeA disputa pela liderança do PS teve, desde já, a vantagem de permitir que António José Seguro revelasse alguns dos constrangimentos que caracterizaram a sua liderança até aqui e que não eram conhecidos dos portugueses e, presumo, dos militantes do PS. Seguro só podia ser um líder infeliz, tolhido que estava (confessou agora) na sua liberdade de expressão e de acção. Talvez isso explique o olhar de tristeza que muitas vezes se via  nas imagens.

Foi na  entrevista  à Rádio Renascença que António José Seguro revelou alguns desses constrangimentos. Mas longe de clarificar o seu verdadeiro pensamento,  nessa entrevista Seguro revelou  contradições no discurso. Vejamos algumas:

Seguro tão depressa afirma que se “anulou”  para unir o partido  como diz que “não enjeita nenhuma história do partido”.  Então anulou-se como e porquê? O que é que queria ter dito e feito  e não disse nem fez?

Cai em contradição quando diz que não se arrepende de ter rejeitado a proposta de Cavaco de um pacto político, feita há um ano porque  “se tivesse feitio aquele acordo, hoje estava a um passo de ser primeiro-ministro, mas tinha traído as minhas convicções” e  confirma que na altura teve “muitas pressões internas para que não houvesse entendimento com a coligação”. Então, afinal não aceitou para não trair as suas convicções ou porque sofreu pressões? E de quem foram as pressões?

Afirma que  não assinava “este” memorando mas absteve-se na votação do orçamento que agravou este memorando com mais austeridade e opôs-se ao pedido de fiscalização do mesmo.

Afirma que “não traz de volta o passado” mas passa o tempo a queixar-se que Costa lhe disputou o poder  no momento em que  ele estava quase a ser primeiro-ministro. Diz que Costa criou um problema ao PS e que “os militantes não mereciam isto”. Ora,  o problema criado não foi ao PS nem aos militantes  mas sim à actual direcção,  como se prova pelos apoios que Costa tem recolhido. Questionar a direcção é um direito de qualquer militante se considerar que isso é melhor para o partido e para o País.

Seguro afirma nesta entrevista que tinha “cuidado na utilização das  palavras e do  discurso publico” e que hoje deixou de ter e sente  que recuperou totalmente a “liberdade para dizer tudo aquilo que pensa  sobre a situação interna do partido”.  Ora, esta entrevista mostra que depois de “recuperar a liberdade” António José Seguro tem  um discurso mais confuso e inconsistente do que quando se “anulava”.

Dir-se-ia que António José Seguro ficou sem discurso. Entre as suas convicções e as “pressões internas” que diz ter sofrido terá perdido o seu próprio discurso.

Como é possível que durante três anos tenha escondido do partido e do País os seus verdadeiros pensamentos e opções?

 

 

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4 respostas a PS: o líder perdeu o discurso

  1. Manuela Henriques diz:

    Viram a entrevista de Manuela Ferreira Leite, ontem na TVI24? Muito interessante e muito clara quanto ao Seguro. Vale a pena.

  2. J. Madeira diz:

    Muito bem observado, acontece que o Tozé deixou cair a máscara
    e pose com que viveu desde que foi eleito SG do PS!
    Acabou por fazer jus ao desafio do A. Costa que, disse o óbvio sobre
    a sua liderança e os festejos da segunda vitória nas europeias mas,
    sem asas para alcançar uma maioria que levasse o PS a liderar um
    Governo forte!
    O resto é o que se tem visto, populismo desbargado, apelos de apoio
    tipo lota de Matosinhos, já esqueceram o que aconteceu a Sousa Franco,
    diretas com um arregimentar de votantes que podem eleger o Tozé e,
    depois votar noutros partidos!?! Isto é mau demais para o P. Socialista!!!

  3. Diogo diz:

    Seguro jogou sempre pelo “seguro”. Costa (muito mais carismático) entrou cheio de força mas também não diz nada de concreto. Dá a impressão que algum poder acima dos dois quer a coisa se mantenha em banho-maria.

    Chris Gupta: “A constituição de uma «Democracia Representativa» “consiste na fundação e financiamento pela elite do poder de dois partidos políticos que surgem aos olhos do eleitorado como antagónicos, mas que, de facto, constituem um partido único. O objectivo é fornecer aos eleitores a ilusão de liberdade de escolha política e serenar possíveis sentimentos de revolta…”

  4. João diz:

    Por amor de deus. Não deixe que o costismo lhe tolha a vista. Não sou partidário nenhum, mas este tipo de abordagem, intriguista e psicologizante (estava “triste”) não serve a ninguém que queira trocar ideias sobre política.

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