Ler jornais ainda é saber mais?

jornais em pilhaDe manhã, liga-se o computador, o telemóvel ou o ipad e eis que pelas nove horas chega a newsletter do OBSERVADOR. Em tom intimista, o director dirige-se a cada leitor para lhe dizer o que aconteceu  “Enquanto dormia”. Temos assim uma  resenha das notícias da noite e das que vão marcar o dia a nível nacional e internacional.

Aqueles que se levantam cedo e ouvem rádio, recebem através dela o essencial do que vai ser o dia noticioso. Não faltam as análises em todos os canais, as resenhas dos jornais, os debates no Parlamento, quando os há. O mesmo acontece nas televisões do cabo.

A meio da manhã, chegam os fóruns radiofónicos com a participação dos ouvintes onde se discute tudo e mais alguma coisa e o povo vai protestando contra os políticos e outros.

Os que, como eu, têm acesso a clippings, apanham  ainda logo de manhã uma “injecção” de notícias escolhidas pela empresa que os fornece.

Durante a tarde, o ciclo repete-se e há as newsletters dos jornais e revistas que dão os primeiros parágrafos dos artigos para  não assinantes e textos  completos para assinantes. E há as redes sociais e os blogs que além de eles próprios darem “notícias” e fazerem análises, linkam as notícias, dos jornais, revistas, televisões e  rádios, permitindo a quem o quiser conhecer quase tudo o que se escreveu e disse durante o dia.

E  à noite chega à net o Expresso diário, avassalador, secando tudo à volta, bombardeando a concorrência.  Sabemos tudo sobre o GES, o BES, etc. etc..E chega também a resenha do dia, do OBSERVADOR.

Depois todos se repetem uns aos outros, pelo que quem não leu determinada notícia importante num deles acaba por ler noutro. Também as análises e os comentários de directores e  comentadores de jornais e televisões podem ser lidas e ouvidas nuns ou noutros com poucas ou nenhumas diferenças…

Para ter acesso a todo arsenal de informação disponível basta, pois, ter um computador, um telemóvel ou um ipad – podemos também ouvir rádio e ver televisão com eles. Acresce que o acesso à informação assim disponibilizada não impede que ao mesmo tempo  se façam outras coisas.

É claro que quem ficar apenas pelas novas tecnologias  não goza o prazer de folhear o jornal, ver as fotografias e outras imagens que são exclusivos do papel. Mas quem não tiver o “bichinho” das notícias pode bem pensar que as notícias que lhe chegam de forma gratuita são suficientes para saber como vai o mundo e o País.

Este é um dos dramas do jornalismo. Os avanços tecnológicos que ele impulsiona e expande vão “matando” e deixando para trás os modelos tradicionais de produção e distribuição da informação até quase os tornar obsoletos e  dispensáveis…

Será isto inevitável? Será que “ler jornais (ainda) é saber mais?

 

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Uma resposta a Ler jornais ainda é saber mais?

  1. Nuno Costa diz:

    “Ler jornais é saber mais”? Sim, dantes era assim. Hoje, neste país, de quem são os jornais e quem são os jornalistas? Porque, é bom ter presente, se ainda há gente séria e competente neste ramo, a grande maioria está no desemprego ou anda às ordens das administrações…

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