Na Justiça há os heróis e os vilões

Os jornalistas têm os seus heróis e  também os seus vilões. No sector da Justiça há os que atingem o “altar” e há os que não passam de “serventuários” do poder político.

Entre os primeiros, temos o “superjuiz” Carlos Alexandre, o homem que deteve Ricardo Salgado. Nos últimos dias os media traçaram-lhe a biografiaFilho de um carteiro e de uma operária fabril, estudou na Telescola e nas férias chegou a ajudar o pai nas obras. 

O Juiz Carlos Alexandre tem clube de fans no Facebook e chegou a haver uma petição para o levar a procurador-geral da República. O Jornal de Negócios elegeu-o como o 48.º na lista dos “mais poderosos da economia” em 2013, com pontuação elevada nas categorias, “perenidade”,”influência mediática” e “influência política”.

Um dia, o juiz Carlos Alexandre fez saber que não tinha plafond no telemóvel. A SIC Notícias chegou a transcrever a mensagem que ele deixou: Por motivos de limitações orçamentais, que me foram assinaladas, tomei a decisão de entregar ao Sr. Secretário-Geral do TCIC, o telemóvel de serviço que me estava confiado a partir de hoje dia 9-03 de 2011. Oportunamente indicarei um telefone pessoal para contacto. Obrigado. Carlos Alexandre”. Para “juiz discreto”, como dizem os perfis jornalísticos, estamos conversados.

Juiz Rui Teixeira foi filmado a chegar à Assembleia da RepúblicaOutro juiz, Rui Teixeira, o homem que deteve Paulo Pedroso, em 2003, foi também elevado pelos media à categoria de superjuiz. A imagem do juiz no elevador do Parlamento filmado em exclusivo pela SIC ficará como um marco do protagonismo desejado por alguns agentes da justiça.

No lado oposto, entre os “odiados” pelos media, temos Pinto Monteiro, o anterior Procurador-Geral, que tinha o grave defeito de contrariar as notícias dos jornais e dizê-lo sem papas na língua. Os casos Freeport e Face Oculta tornaram-no  alvo de críticas de que estava “feito” com o governo de José Sócrates.

Há ainda outros “deuses” e outros “diabos” na justiça. Mas o problema não é o protagonismo dos agentes da justiça e a sedução que os media exercem em alguns deles. O problema é um juiz,  um procurador, ou um polícia serem vistos como “supers” e “heróis” apenas porque cumprem o dever de deterem quem deve ser detido. Como se não fosse  normal um agente da justiça exercer a justiça. E também não é  normal é que um  juiz, um procurador ou um polícia,  se torne um “diabo” ou um “vilão” porque recusa a justiça mediática.

 

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2 respostas a Na Justiça há os heróis e os vilões

  1. E as manhas do super procurador Rosário Teixeira? Custe o que custar, o lema é condenar?

    http://transparente.blogs.sapo.pt/

  2. manuel pereira diz:

    Como toda a gente sabe,na antiga Roma,não era permitido aos Patrícios serem juízes.E nós,que estamos de boa-fé,sabemos o que isso quer dizer: para quem está imerso nos interesses,nas aspirações e sonhos de uma clique social,não há banho lustral que o lave… O resto é larilolé,como dizia Jonh Steinbeck

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