caso BES: muitos não cumpriram as suas funções

BES“Já não se pode com o BES”, ouve-se por toda a parte.

Os jornalistas andam eufóricos com a catadupa de informações sobre as desgraças do GES/BES.  Em artigos de opinião, desancam Ricardo Salgado e procuram ligações e cumplicidades numa autêntica caça às bruxas, elegendo os “bons”  e os “maus”, os “inocentes”  e os “culpados”.

O primeiro-ministro deu aliás o mote para a discussão quando, num ataque de populismo, muito elogiado por jornalistas e comentadores, disse mais ou menos sobre o GES/BES que o problema é deles e o Estado não mete lá nem um tostão. Mas segundo a TVI já teve que voltar com a palavra atrás e o Estado vai mesmo entrar no BES.

O governador do Banco de Portugal parece andar neste processo “aos papéis”, empurrado pelos acontecimentos, sem capacidade de os antecipar e sobretudo prevenir. Se era para o Estado entrar no BES porque esperar tanto tempo deixando o banco afundar-se? Só pode concluir-se que o Banco de Portugal não cumpriu devidamente as suas funções.

Também o líder do PS foi apanhado de surpresa e o mesmo aconteceu com o PCP. À excepção de Francisco Louçã, parece que na classe política ninguém deu por nada. Ora, dos partidos da oposição, sobretudo do maior deles, espera-se que façam o trabalho de casa. O trabalho político não pode ser só captação de votos. Nenhum cidadão pode estar descansado vendo o governo, a oposição e os reguladores desconhecerem  o que estava a acontecer no mais importante grupo financeiro do País.

Tal como o governo, os reguladores e a oposição, também os jornalistas não cumpriram a função escrutinadora que lhes cabe relativamente a um dos poderes mais importantes da sociedade, o poder económico. Durante muito tempo, por mais que agora digam o contrário,  a generalidade dos media alinharam pelo discurso oficial sobre a alegada robustez do sistema financeiro do País.

Como diz a canção do António Zambujo foram todos apanhados “de calças na mão”.

 

 

 

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