Nas redes sociais brinca-se com as notícias que volta e meia surgem apresentando José Sócrates como suspeito de qualquer coisa. Daniel Oliveira, no Expresso, chama-lhe “o suspeito disto tudo”.
A visibilidade mediática de José Sócrates é um case study para analistas e investigadores das relações entre a política, os media e a justiça. Sócrates é o protagonista ideal para estudar essas relações.
A insistência com que Sócrates continua a surgir nas capas de jornais e revistas associado a “casos” de justiça, como mostram a edição desta quinta-feira da revista Sábado e o Correio da Manhã dos últimos dias, é objecto de várias interpretações: uns consideram-no culpado nos casos Freeport, Face Oculta, entre outros – apesar de não ter sido acusado pela justiça. Para esta corrente, representada sobretudo pela TVI de Moura Guedes e Moniz e pelo jornal Sol, Sócrates não foi acusado porque teve a protecção do ex-procurador-geral, Pinto Monteiro, e do ex-presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento.
Outros, atribuem as notícias negativas sobre a sua pessoa ao facto de Sócrates enquanto primeiro-ministro não ter cultivado boas relações com os jornalistas e por isso pagou caro os telefonemas e os comentários que fazia a alguns deles, seus conhecidos de longa data com os quais tinha relações pessoais que, pensava ele, justificariam contactos directos para protestar ou comentar o que sobre ele se escrevia. Esses telefonemas e comentários eram vistos como “pressões” e atentados à liberdade de imprensa.
Sócrates voltou agora às capas dos jornais e, aparentemente, não é o facto de se ter tornado comentador na RTP que voltaria a acicatar contra si a atenção dos media. Seja o que for, Sócrates continua a ter um “valor-notícia” para alguns jornais e grupos que muitos políticos no activo não têm.
H
oje, o Correio da Manhã, faz um pouco de luz sobre a sua insistência em fazer de José Sócrates um eterno suspeito. Diz o Correio da Manhã:
600 mil euros é quanto o Correio da Manhã (a Cofina, melhor dizendo) deverá pagar a José Sócrates se não conseguir provar a sua tese sobre “os gastos” de Sócrates em Paris. Há outros casos, diz o jornal.
O Correio da Manhã tem, pois, motivos de sobra para não largar Sócrates. Alimentar as notícias com as suspeitas enquanto a investigação judicial não chega a conclusões faz parte do processo de “condenação” pública (mediática) de Sócrates.
Suspeito, culpado ou inocente, José Sócrates é uma fonte inesgotável para compreender os media e a justiça.
