No país das “fugas”

As fugas de informação são  uma espécie de “marca” nacional. Chegaram agora ao caso BES, com consequências que ainda não são conhecidas. O governo é um praticante assíduo das fugas de informação. As instituições da Justiça, também.

No caso BES foi, primeiro, a “cacha” sobre o destino do banco, dada por Marques Mendes, comentador da SIC.  O objectivo da antecipação era fácil de perceber: fazer spin. Era preciso orientar a discussão e o debate seguinte sobre a solução encontrada: desde logo, afirmar que não seria uma “nacionalização” e que seria diferente de soluções anteriores, como no BPN (como se o Fundo de Resolução não datasse apenas de 2012). Defender o governador do Banco de Portugal foi outro dos objectivos do comentador.

Marques Mendes tem boas fontes no Conselho de Ministros. É um insider com acesso a informação privilegiada sobre o que lá se passa. Tenha sido ou não algum membro do governo a informar Marques Mendes sobre a solução encontrada para o BES,  o governador do Banco de Portugal não podia ignorar que a notícia seria dada em primeira mão pelo comentador. Tornou-se também ele suspeito de passar informação ou, pelo menos, de a ter consentido (não reagiu à antecipação).

É uma aberração ver comentadores políticos a fazerem o papel que cabe aos jornalistas, isto é, darem notícias. (Neste caso do BES foi até curioso ver a jornalista da SIC que contracena com Marques Mendes dizer-lhe que não queria saber quem eram as  fontes dele).

A mais recente fuga de informação sobre o BES (que se percebeu logo na sexta-feira)  foi denunciada pela  CMVM que abriu um processo de investigação para apurar a existência  de utilização de informação privilegiada, nessa sexta-feira, quando se verificou o descalabro das acções do banco.  (ver comunicado da CMVM, ponto 6)

A investigação sobre esta fuga tem provavelmente o destino de outras fugas de informação, como  as oriundas dos agentes da justiça, muitas das quais quando investigadas não chegam a qualquer conclusão. Não admira que assim seja, uma vez que geralmente são investigadas no seio da instituição que as pratica.

Esperemos pelos episódios seguintes.

 

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4 respostas a No país das “fugas”

  1. Pingback: A fuga de informação sobre o Banif deu muito jeito à direita | VAI E VEM

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  3. cristof9 diz:

    os jornalistas tambem se poem a jeito – ainda nodomingo nos debates da Sic(por ex) nem se abordava a decisão da UE que encaminhou o que se ia passar apesar de já varios meios internacionais o estarem a comentar.
    andarem todos em looping a comentarem-se uns aos outros não é de todo jornalismo-mas sim papagaios á solta.

  4. EGR diz:

    Lapidar a entrevista que hoje Pedro Silva Pereira deu hoje a SIC-N.
    Excelente ajuda para se perceber toda esta tenebrosa história.

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