Caso BES: chegou o tempo de “plantar” notícias

Era de esperar: “Zangam-se as comadres…descobrem-se as verdades”. Ricardo Salgado prometeu falar lá mais para diante quando os ânimos serenarem e forem conhecidos os resultados da auditoria forense. Ainda assim, não tem estado propriamente calado, uma vez que os seus advogados vão desmentindo notícias, como aquela do Correio da Manhã que dizia que ele  tem não sei quantos milhões em Singapura.

Henrique Granadeiro, presidente cessante da PT, fez acompanhar a comunicação oficial da sua demissão de um comunicado “informal”onde afirma:  “Convivo bem com os meus actos, mas não com os encargos e responsabilidades de outros”. Percebeu-se imediatamente que Henrique Granadeiro teria coisas para dizer sobre o investimento da PT em aplicações de tesouraria na Rio Forte Investments S.A. (“Rioforte”), no valor de 900 milhões de euros que provocou a  sua demissão.

Expresso capa Salgado envolve outrosOra, não demorou muito até começarem a chegar aos jornais algumas dessas “coisas”. O Expresso conseguiu obter cópia dos emails trocados na altura do negócio entre Ricardo Salgado e outros intervenientes no negócio com a PT, que provam  que afinal muita gente na PT e na OI, incluindo Zeinal Bava, estavam por dentro do negócio.

O Expresso afirma que os emails podem ter sido “plantados” por Ricardo Salgado para incriminar mais gente. “Plantados” ou não, os emails existem e a publicação das cópias que lhe chegaram  é, para todos os efeitos, uma informação relevante. Se tiverem sido “plantados” por Ricardo Salgado para  registarem algo que ele queria que fosse conhecido, isso não deixa de ser igualmente um “facto” relevante que necessita de ser confirmado e investigado.

O Expresso tem tido um papel destacado na divulgação de quase tudo o que se conhece sobre os acontecimentos que levaram ao descalabro do Grupo e do Banco Espírito Santo. Há, porém, um risco para o  jornal. De facto, nada ou quase nada se soube até  alguém de dentro do Grupo decidir falar e, num segundo momento, até ser impossível esconder ou travar mais tempo o que se passava.

Seria lamentável e desastroso para a confiança dos cidadãos na informação jornalística que o Expresso e outros jornais se deixassem  instrumentalizar pela luta de facções que se adivinha e que tentará fazer dos jornais o terreno da sua disputa.

As fontes que estão por dentro dos acontecimentos, sejam do lado do “Banco mau” ou do Novo Banco, dos agentes da justiça, ou do governo, não deixarão de tentar por todos os meios fazer spin, ou, dito de maneira menos sofisticada, de “plantar notícias”.

Cabe aos jornalistas serem eles, desta vez, a imporem as suas regras aos ainda  “Donos Disto Tudo”.

 

 

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