Emídio Rangel

Emídio Rangel havia de ter gostado de saber que a televisão que fundou, a SIC,  o recordaria, no dia da sua morte, como ele gostaria certamente de ser recordado: exibindo as imagens e os sons que marcam para sempre  o seu legado para a história da rádio e da televisão em Portugal. Também a TSF esteve à altura do seu criador, com uma emissão dedicada à sua memória, recheada de depoimentos de quem com ele privou de perto. O mesmo aconteceu com a RTP, de que chegou a ser director-geral, e com a TVI.

Injustamente esquecido nos últimos tempos, Emídio Rangel suscitou sentimentos extremados de amor e ódio. De personalidade vincada, carismático, determinado e seguro das suas convicções sobre como fazer rádio e televisão, arrastava no seu entusiasmo as equipas com que trabalhava.

Cruzei-me com ele em diversas ocasiões, a última das quais em Dezembro de 2004, quando o entrevistei para o Clube de Jornalistas, um programa da  RTP2, dedicado ao debate do jornalismo.

Foi por ocasião da preparação desse programa que me apercebi de como Emídio Rangel, já então afastado das televisões portuguesas, causava ainda perturbação no meio. Com efeito, o formato do programa do Clube de Jornalistas em que Rangel foi entrevistado contava sempre com a presença de dois outros jornalistas como co-entrevistadores. Ora, foi difícil encontrar, de entre os  jornalistas que o conheciam bem por com ele terem trabalhado de perto, quem aceitasse o convite para o entrevistar. Não por não se manterem seus amigos e admiradores mas porque não era oportuno ou podia ser incómodo.

Só Mário Crespo aceitou imediatamente e sem reservas o convite.  Emídio Rangel foi entrevistado por Mário Crespo, por Ribeiro Cardoso (que alternava comigo e com Flor Pedroso na apresentação do programa) e por mim própria.  O tema do programa era “o jornalismo visto por… ” (nessa entrevista era Rangel o entrevistado)

Emídio Rangel viria a tornar-se mais tarde alvo de críticas por ter saído em defesa de José Sócrates, quer enquanto comentador da RTP quer na Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso PT/TVI, em que Sócrates era visado. Também a defesa que fez de Manuel Maria Carrilho na apresentação do livro «Sob o signo da verdade», em que Carrilho ataca a imprensa e a agência de Comunicação Cunha Vaz, lhe granjeou  críticas às quais, fazendo jus ao seu gosto pela polémica, não deixou de responder.

Como todas as pessoas  que marcaram o seu tempo, Emídio Rangel não deixava ninguém indiferente. Também como sempre acontece, hoje só houve elogios à sua pessoa.

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2 respostas a Emídio Rangel

  1. Gomes Nuno diz:

    ^^y^^…até ao momento este é, na minha opinião, o melhor artigo [texto] que leio sobre Emídio Rangel onde é focado o que, realmente, interessa, sem exageros, sem hipocrisias!!!^^y^^

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