O Tribunal Constitucional que se cuide: os jornalistas de economia é que sabem de leis

TCA dramatização conferida pelos jornalistas de economia ao chumbo do Tribunal Constitucional, da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) aplicada aos pensionistas do Estado e aos cortes nos vencimentos dos funcionários públicos a partir de 2016, diz muito sobre algum do jornalismo que temos.

Logo que a decisão foi anunciada, os canais informativos encheram-se de comentadores, na maioria jornalistas de economia, que de um modo geral se empenharam numa  desabrida  tentativa de destruição da argumentação dos juízes, sem qualquer pudor e com a maior à vontade, como se conhecessem de fio a pavio o texto do acórdão e fossem catedráticos de Direito.

Contagiados pelo fundamentalismo destes mediáticos comentadores, os outros jornalistas que com eles contracenavam nas diferentes televisões, lançavam também sobre as decisões do tribunal, os anátemas do costume.

Mais eficazes  que o governo na crítica ao TC, até pelo benefício da credibilidade que alguns ainda possuem junto dos telespectadores, estes comentadores partem dos argumentos do governo e da maioria e terminam invariavelmente as suas intervenções com a pergunta do costume: “onde éque se vai buscar o dinheiro a não ser aos vencimentos dos funcionários públicos e às pensões de reforma?”. Não lhes ocorre nunca questionar os fundamentos da política económica e financeira porque, para eles, não há alternativa ao discurso oficial.

Estes jornalistas-comentadores são os maiores aliados do governo, sempre prontos a diminuir qualquer proposta de solução que não passe pela aceitação dos ditames da troika ou, de qualquer “tratado” que venha de lá.  O Tribunal Constitucional tornou-se, na visão destes jornalistas, um “inimigo” da recuperação económica do País. De tal modo que as reacções de Paulo Portas e do PSD pareciam música celestial quando comparadas com o destempero de alguns destes comentadores.

Tratando-se de especialistas em economia, e não só, calcula-se que tenham tido conhecimento de que hoje mesmo foi conhecida a declaração  do ministro das Finanças francês de que a França “chegará ao fim de 2014 com um défice superior a 4% do PIB e não respeitará a meta dos  3% em 2015”.

E então, Portugal está sujeito a algum regime especial de “trabalhos forçados” que não possa dizer também, como a França, que não podemos cumprir, assim, como a troika quer?

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10 respostas a O Tribunal Constitucional que se cuide: os jornalistas de economia é que sabem de leis

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  2. Perdoai-lhes sr.Nao sabem o que dizem.Mas parecem grandes entendidos a quem desprevenido os oiça perorar sobreo mais diversos temas.

  3. O discurso do Pontal serviu ao nosso PM para lançar mais umas achas na guerra entre as gerações, para revelar a sua incompetência em resolver o problema da sustentabilidade da Segurança Social e não assumir a sua cota parte no aprofundamento dessa mesma insustentabilidade, provocada pela queda do emprego e aumento da emigração.

    O buraco da Segurança Social é precisamente igual á queda de receitas dos que deixaram de contribuir por não trabalharem ou terem emigrado.

    Por outro lado, na justiça entre as gerações há que ter em conta que os mais idosos pagaram através dos seus impostos para a educação e saúde dos que hoje têm entre 30 e 45 anos e que conseguiram alcançar um sistema de educação nunca antes atingido. Quando as receitas da Segurança Social eram positivas o Estado o que fez a essas verbas? Investiu-as na educação dos mais novos, assim há que meter todas as contas em jogo.

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  5. antonio diz:

    fraca argumentação e ainda mais fracos resultados que o país tem apresentado. Darmos como exemplo a França é resignarmos ao comboio da palhaçada na gestão publica.

  6. J. Madeira diz:

    Esses comentadores que, na realidade não são jornalistas, devem ser
    considerados como profissionais de comunicação, limitam-se a aceitar
    as premissas do governinho como verdades absolutas daí, se pode
    estabelecer o tal princípio da quadratura do circulo e, procuram acima
    de tudo bajular o poder para justificar os convites para …!!!

  7. Antonio Manuel Novais da Costa Lima diz:

    Sem dúvida. Fazem um péssimo serviço ao país, e caem no ridículo.

  8. A.M. diz:

    Valha-me Deus, esses caramelos não sabem de economia, quanto mais de direito, quanto mais de direito constitucional!
    Mas é sina de um país de parolos, além de índice de atraso, ter ignorantes a perorar nos meios.
    Olha lá, se ouvem quem sabe!

  9. Ricardo Domingos diz:

    Será que essa dramatização diz assim tanto sobre algum do jornalismo que temos? Ou será que é o facto de choverem chumbos atrás de chumbos de cada vez que se tenta replicar no sector público aquilo que já há muito se verifica no privado diz ainda mais que sobre a Constituição que temos?

  10. carlos pinto diz:

    eles não são fundamentalistas. Estão a ver se fundamentam o curriculo, para arranjar um tacho como o “outro”.
    Siga para bingo!

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