Se é verdade porque é que não se diz?

Diector-Executivo do DE foi para o BdPO autor desta pequena nota, publicada na edição de hoje do jornal i, é Feliciano Barreiras Duarte, deputado  do PSD e ex- governante.

Encontrando-se o Banco de Portugal  sob os holofotes dos media é estranho que nenhum jornal tenha publicado a informação e que a “transferência”  tenha sido divulgada por um político.

O próprio Diário Económico continua a manter inalterado o nome do  Director-Executivo  e o site do Banco de Portugal é omisso quanto ao nome do seu director de comunicação, pelo que a informação carece de confirmação.

Afirma Barreiras Duarte que “se fosse na política e na justiça” já teria caído o Carmo e a Trindade”. De facto, a confirmar-se a transferência do jornalista da direcção de um dos mais importantes jornais de economia para a direcção de comunicação do Banco de Portugal sem um “período de nojo” fica em causa a sua independência face a uma instituição sobre a qual, segundo Barreiras Duarte, incluindo sobre o seu dirigente máximo, o governador, o jornalista escreveu artigos elogiosos.

Procurando no site do jornal encontra-se  este artigo, publicado em 2011 pelo director-executivo, Bruno Proença, em que este traça rasgados elogios ao então novo  governador, Carlos Costa, quando comparado com o seu antecessor, Vítor Constâncio, com frases como “o Banco de Portugal mudou” ou “a comunicação é mais clara”.

Ironia do destino: a comunicação do BdP é tudo menos “clara” e o  governador Carlos Costa  tem uma óbvia dificuldade de comunicação, para além de o BdP se ter revelado muito pouco transparente. Tendo em vista a “ameaça” de uma Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso BES/GES, em que a actuação dos reguladores, nomeadamente do BdP, não deixará de ser questionada e esmiuçada, compreende-se a necessidade de repensar as estratégias, os processos e os métodos de relacionamento com o público e não apenas com os banqueiros e com o poder político. Por exemplo, começar por preencher as imensas lacunas que existem ainda no conhecimento público de tudo o que se passou e levou ao descalabro do Grupo e do Banco Espírito Santo.

E se é verdade que o BdP contratou o director-executivo do Diário Económico não se percebe porque é que não houve notícia dessa contratação nem da parte do BdP nem de nenhum jornal (que eu tenha encontrado).

 

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2 respostas a Se é verdade porque é que não se diz?

  1. Pingback: Achegas para ajudar o PSD, o CDS e algum jornalismo a descobrirem a “verdade” | VAI E VEM

  2. Antónimo diz:

    Não se diz por os jornais pertencerem todos aos mesmos.

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