O Novo Banco como metáfora do País

Vítor BentoO Novo Banco ameaça tornar-se um microcosmos do País. Se pensarmos nas nomeações feitas para a  gestão da nova instituição nascida da divisão do BES em Banco Bom e Banco Mau, verificamos que a  metáfora faz todo o sentido. Senão vejamos.

Quando o BES ainda era BES, Vítor Bento foi  proposto para suceder a Ricardo Salgado  pelos cinco ramos da família Espírito Santo e pelo Crédit Agricole e posteriormente aprovado pelo Banco de Portugal. Na altura, o BES não fora ainda dissolvido e não havia Novo Banco.

Após o colapso do BES e a criação do Novo Banco, Vitor Bento mantém-se como presidente e convida Moreira Rato, que até então liderava o IGCP, para administrador financeiro  do Novo Banco. Para além de Moreira Rato, Vítor Bento é acompanhado na administração do Novo Banco por gestores que transitaram do BES, José Honório, Jorge Martins e João Freixa.

O presidente, Vítor Bento, o vice-presidente, José Honório, e o administrador financeiro, Moreira Rato,  não possuem experiência de gestão de uma grande entidade financeira, elementos que não podiam ser ignorados por quem os nomeou – o Banco de Portugal.

Há dias, soube-se que Vitor Bento convidou dois antigos administradores do BES, Joaquim Goes e a António Souto (que tinham sido  suspensos pelo Banco de Portugal e estão a ser objecto de investigação) para assessorarem a administração do Novo Banco, convite que foi aceite por ambos depois de autorizados pelo mesmo Banco de Portugal.

Temos, assim, uma situação muito portuguesa: convidam-se pessoas para ocuparem determinados lugares de topo em instituições poderosas – como é o caso do Novo Banco  – com base em critérios, outros, que não a formação, o conhecimento  e a experiência no sector financeiro.

Para manter essas pessoas nos cargos de topo criam-se novos cargos para os quais se convidam então pessoas com o perfil que os do topo deveriam ter: experiência, formação e conhecimento do sector financeiro. Temos assim que os do topo asseguram e garantem a confiança pessoal e política perante quem os nomeou e os assessores asseguram a competência e a experiência no sector financeiro.

Resultado: gasta-se o dobro do dinheiro em vencimentos, mordomias, etc, complica-se o processo de decisão e cria-se ruído na cadeia hierárquica.

No caso presente, os dois ex-administradores que entram para  assessorar a administração sabem mais de bancos, em particular “daquele” banco, do que metade dos administradores. É fácil perceber que irão influenciar grandemente as decisões do Novo Banco. O que talvez não seja tão mau como parece, atendendo à inexperiência de quem formalmente manda no Banco.

 

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Economia, Política, Uncategorized com as etiquetas , . ligação permanente.

2 respostas a O Novo Banco como metáfora do País

  1. Pingback: O Novo Banco e o estado de desinformação a que chegámos | VAI E VEM

  2. Pingback: Vitor Bento: de bestial a besta | VAI E VEM

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s