A opção de Judite

Judire regressoJudite de Sousa regressou aos ecrans da TVI após a morte trágica do seu filho com uma entrevista a Cristiano Ronaldo (aquiaqui). Foi uma escolha corajosa, porque Judite podia ter optado por um regresso sem a  exposição pessoal que uma entrevista confere a quem a conduz, para mais sendo o entrevistado Cristiano Ronaldo.

A opção foi corajosa porque Judite assumiu o risco de poder não ser capaz de conter a emoção, como veio a acontecer, expondo-se na sua fragilidade como se quisesse desafiar-se a si própria, sem receio de  despertar reacções contraditórias, entre a compaixão, a crítica e a admiração, como também veio a acontecer.

Vendo-a hoje na apresentação do Jornal das 8, novamente segura e profissional, percebe-se que a entrevista a Ronaldo foi  uma espécie de “pré-regresso” onde a exposição da sua dor teria um lugar quase natural, o que não seria compreensível  no espaço “frio” da apresentação de um telejornal.

De facto, Judite começa a entrevista a Ronaldo com a evocação da sua tragédia pessoal e a recordação do seu filho através da analogia entre a idade dele e a de Ronaldo. A fotografia que anuncia a entrevista – Judite vestida de preto, sentada de perfil, rosto escondido pelos cabelos, na penumbra da casa de Ronaldo –  é bem o símbolo de uma mulher frágil, bem longe do glamour  dos tempos felizes.

Judita entrevista Ronaldo

Marcelo Rebelo de Sousa no seu reencontro televisivo com Judite orientou o registo inicial e final da conversa para a atmosfera de emoção, sobretudo no final quando  fez o elogio de Judite, “obrigando-a” a retribuir e a emocionar-se no agradecimento ao público e ao seu colega de direcção, José Alberto de Carvalho.

Nesse início de conversa com Marcelo, Judite quis esclarecer  que a entrevista a Ronaldo fora pedida por ela há cerca de seis meses e não, como foi publicado, que fora Ronaldo a “oferecer-se” para ser entrevistado no momento do regresso de Judite. Talvez ambas as versões sejam verdadeiras, mas Judite fez bem em deixar claro que lhe coube a iniciativa de solicitar a entrevista. Como sempre acontece, o entrevistado tem uma palavra a dizer sobre a data da sua realização, pelo que não será errado presumir  que Ronaldo tenha decidido dar a entrevista no momento em que ela ocorreu.

No final da conversa com Marcelo, Judite referiu que não foi fácil ser “capa de revista todas as semanas”, como realmente aconteceu com as revistas ditas de sociedade falando regularmente de Judite, do seu sofrimento, do seu estado de saúde e, progressivamente, do seu desejo de regressar ao trabalho. Eram vozes em discurso directo que surgiam como “autorizadas”, percebendo-se que, pelo menos algumas, identificadas, eram muito próximas,  como que falando em seu nome.

A mediatização do luto de Judite, mesmo na sua ausência, fosse ou não autorizado por si, funcionou como uma preparação do seu regresso ao trabalho. Diria mesmo que o voyeurismo que caracterizou algumas situações idênticas, de outras figuras públicas, não foi, com Judite, excessivo.

Judite de Sousa mostrou que merece a aura que conquistou, para o bem e para o mal, tornando-se ela própria num momento doloroso a notícia que ninguém gostaria de protagonizar. Espera-se agora que volte ao lugar que conquistou por mérito próprio.

 

 

 

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2 respostas a A opção de Judite

  1. Orvalho diz:

    Prefiro o José Alberto a entrevistar o Prof. Martelo. Os “risos-guinchinhos” da Judite, mais as suas constantes interferências para se afirmar durante a exposição do entrevistado, são-me insuportáveis.

  2. António M P diz:

    Lamento que o meu comentário seja para discordar de duas pessoas que muito estimo: a Judite de Sousa cuja modéstia e jovialidade no programa Olhos nos Olhos, sempre valorizou muito o programa, e a Estrela Serrano por toda a sua carreira profissional. Mas não vejo por que o trágico acidente ocorrido na família de Judite tenha que ser objecto de tratamento tão destacado e sobretudo que tenha de sê-lo pela própria como jornalista a entrevistar Ronaldo ou Marcelo.

    Quantos colegas de trabalho da Judite de Sousa, passaram por tragédias familiares sem que os respectivos orgãos de Informação lhes fizessem referência nem lhes dessem tempo de luto especial? Não eram jornalistas, só por isso. Neste sentido vai a minha estranheza para o destaque que a Estrela Serrano acrescenta. E quase me atrevo a pensar que a própria Judite concordará comigo.

    Aceite os meus melhores cumprimentos.

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