Movimentações nos media em tempo pré-eleitoral

De acordo com o Expresso e o Público, o jornal i tem um novo director: Luís Rosa, actual director adjunto, substitui Eduardo Oliveira e Silva que ocupa o cargo de director do i desde 2012.

O jornal i foi comprado pela empresa angolana Newshold,  propriedade de Pineview Overseas, com sede no off-shore do Panamá. A empresa é detida pela família do empresário angolano Álvaro Sobrinho, antigo presidente do BESA, e tem como presidente do conselho de administração o também empresário angolano Sílvio Madaleno.

Newshold 1

Newshold administração
Newshold participações

A entrada da Newshold nos media portugueses data de 2009, quando adquiriu 96,96% do jornal Sol. Em 2011, entrou na Cofina (dona, entre outros, do Correio da Manhã, Jornal de Negócios e revista Sábado) onde detém actualmente uma cota de cerca de 3,13% . Detém ainda 3,21% da Impresa (dona, entre outros, do Expresso e da SIC).

A Newshold chegou a estar  interessada na privatização da RTP, tendo sido então que se ficaram a conhecer os nomes dos seus proprietários, uma vez que a privatização obrigava a revelar os nomes dos investidores interessados no negócio.

Não existe em Portugal uma lei anti-concentração dos media, uma vez que Cavaco Silva vetou um projecto de lei do governo anterior que visava regular a concentração da titularidade dos meios de comunicação social. Contudo, a ERC tem, nos termos dos seus Estatutos, o dever de “assegurar o pluralismo e a diversidade de expressão, velando pela não concentração da titularidade das entidades que prossigam actividades de
comunicação social”.

A aquisição do jornal i pela Newshold suscita, tal como aconteceu com a aquisição do Sol (quando este tinha uma enorme dívida e uma situação financeira muito difícil), uma reflexão sobre as motivações do grupo para a aquisição de jornais deficitários, num momento em que o sector dos media, em particular a imprensa, vive uma situação de grandes dificuldades.

Como recorda o Expresso, no primeiro semestre deste ano, o diário “i” apresentou uma média de circulação paga de 3.941 exemplares por edição, uma quebra de 25% face ao período homólogo. Por seu turno, o semanário “Sol” apresentou uma média de vendas de 21.254 exemplares por semana, uma queda homóloga de 11,7%.
É sempre uma perda ver desaparecer um jornal e seria também uma perda, pelo que representaria de depedimentos de trabalhadores num mercado já muito precário, se o jornal i não encontrasse um comprador. Mas isso não deve impedir que as operações de concentração de meios de comunicação social, pela importância de que estes se revestem na formação da opinião pública,  sejam profundamente escrutinadas.

Aproximando-se tempos eleitorais, as movimentações no sector dos media carecem de redobrada atenção.

 

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Uma resposta a Movimentações nos media em tempo pré-eleitoral

  1. gomes pereira diz:

    O “i” perdeu mais um leitor. Com o básico dio Luis Rosa deixei de o comprar

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