E agora os debates

De acordo com o Público Já estão fechadas as regras para o debate televisivo desta terça-feira entre Seguro e Costa, que será o primeiro de três frente-a-frente entre os dois candidatos às primárias do PS.

O formato foi acordado entre a TVI, as candidaturas de António José Seguro e António Costa e a comissão eleitoral presidida por Jorge Coelho. Vão seguir o formato das últimas eleições legislativas, com o jornalista da TVI a avançar com perguntas aos candidatos. A cada pergunta o candidato terá direito a dois minutos de resposta, com a possibilidade do oponente ter uma réplica de um minuto.”

O formato permite conter cada um dos candidatos e obriga-os a economizar palavras. Se cada um deles mantiver a postura que tem assumido nas intervenções públicas, teremos António José Seguro a acusar António Costa de ambições pessoais e de não ter agenda e Costa a sorrir, displicente, recusando seguir a linha de Seguro do ataque pessoal. 

Se a postura se mantiver sem cada um deles   corrigir o seu lado negativo, ambos podem sair a perder dos debates. Seguro, apresentando-se como vítima de Costa enfraquece a sua própria posição porque um líder que se faz de vítima  antes de ir a votos, revela medo de enfrentar aquilo que afinal é a expressão primeira da política, isto é, ir a votos e enfrentar adversários dando aos cidadãos a possibilidade de efectuarem escolhas livres.

Seguro não conseguiu, até agora, esconder a (quase) raiva que o acompanha por  Costa ter desafiado a sua liderança, que considerava sólida e merecida. Afinal,  merecida era (em 2011 ganhou a liderança do PS folgadamente) mas não era sólida, porque hoje metade do partido passou-se para o seu opositor, António Costa.

 Por sua vez, António Costa tem surgido como um candidato que respira auto-confiança, impondo a sua própria agenda contra a agenda jornalística (o que o fez perder a “boa imprensa” que tinha até agora). Sem perder a segurança e confiança em si próprio, precisa de desfazer a ideia, criada pelos jornalistas e por Seguro,  de que não tem ideias e se escuda na “agenda da década”. 

Embora os debates televisivos não sirvam para esclarecer nem para aprofundar programas e ideias é bom que cada um dos candidatos não despreze as expectativas daqueles que  esperam que nestes debates ambos superem a animosidade onde ela exista, surpreendam pela positiva e acrescentem alguma coisa ao que têm dito até agora.

Se Seguro continuar magoado e agressivo e Costa indiferente e displicente, perdem ambos. A televisão é um meio que em primeiro lugar provoca emoção, agrado ou desagrado, empatia ou afastamento. Só depois racionalidade e ponderação.

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Uma resposta a E agora os debates

  1. Extremamente correcto, rigoroso e completo, este artigo da Estrela Serrano. E o último parágrafo exprime uma regra que todos os jornalistas deviam aprender na primeira aula de Comunicação: que esta é mais de 90% afectiva e menos de 10% informativa.

    Afinal, digo eu em jeito de corolário, não somos nós predominantemente irracionais, muito antes de sermos racionais? O que baralha muito as estimativas eleitorais dos analistas.

    Única ressalva: “Costa indiferente e displicente” ou previdente? isto tendo em conta que não deve um eventual presidente do partido derrubar as pontes por onde deverá passar mais tarde, atrás de si, o resto do PS. Talvez seja uma questão de vocabulário, esta minha relativa discordância.

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