As fontes da justiça são magnânimas: há “fugas” para todos

Hoje, quinta-feira, as aberturas dos telejornais das 13hoo foram, como se vê nas imagens a seguir, cheias de casos de justiça. De manhã, as revistas de imprensa –  leitura das manchetes dos jornais nas rádios e televisões – já faziam prever que as agendas dos media andariam umas atrás das outras.

Não se pode dizer que as fontes da justiça não sejam magnânimas: há “fugas” para todos. Justiça é justiça: houve o Face Oculta do PS e agora há o Face Oculta do PSD. Houve um  primeiro-ministro em funções do PS “suspeito” de “casos” (que nunca se encontraram), agora há um primeiro-ministro em funções  “suspeito” de outras coisas. Houve um ex-ministro do PS metido em sarilhos, agora há um autarca e uns governantes do PSD também metidos em  sarilhos. Onde antes houve um sucateiro, parece que agora há uma agência de comunicação.

Tal como antes, os jornalistas sabem primeiro que os próprios envolvidos e geralmente são eles que lhes dão as notícias quando lhes pedem para as comentarem. Também como antes os jornalistas “sabem” ou tiveram acesso a…”. As fontes  limitam-se a confirmar a uns o que elas próprias deram a conhecer a esses e a outros.

É descredibilizador para a Justiça e para a democracia  que o conhecimento público dos casos que envolvem políticos e outros poderosos resultem sempre de fugas de informação e de fontes sem rosto que, hipocritamente, fazem as fugas e depois dizem que está tudo em segredo de justiça.

Os cidadãos têm o direito de conhecer se os políticos cometem irregularidades e de exigir que caso as cometam sejam punidos, mas a Justiça tem o dever de não lançar suspeitas sobre as pessoas antes de se provar que elas cometeram ilegalidades.

Tal como antes, as pessoas que hoje surgem como suspeitas nas peças jornalísticas repetidas à exaustão em rádios, televisões e redes sociais, sejam ou não culpadas, já não se livram da suspeita.

RTP LFMeneses

SIC LFMeneses

TVI LFMeneses

CMTV LFMeneses

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5 respostas a As fontes da justiça são magnânimas: há “fugas” para todos

  1. J. Costa diz:

    E devia aplicar-se o mesmo ao cidadão comum e não apenas aos políticos. O que aconteceu ao autor deste blogue que já uma vez referi, se não me engano, num artigo de excelente qualidade neste espaço. o que aconteceu e está a acontecer é lamentável. Quando o processo terrminar os media esforçar-se-ão do mesmo modo a limpar a imagem de quem distorceram? Mais lamentável é que um certo tipo de jornalismo acabe por afectar a reputação de todos os que ainda honram a profissão.

    http://transparente.blogs.sapo.pt/carta-aberta-ao-excelentissimo-senhor-31376

  2. Investigar a sério as fugas de informação no seio dos agentes da Justiça é o que se espera de uma Justiça a sério. Em Portugal isso em Portugal não existe. Os jornalistas têm de cumprir a Lei de Imprensa e o seu códigos deontológico, além de terem um estatuto que os obriga a serem independentes e rigorosos. Isso bastaria para não se deixarem instrumentalizar pelas fontes da Justiça e ou por outras. Mas em Portugal a auto-regulação não funciona.

  3. André diz:

    É simples, é meter jornalistas na cadeia. Como é noutros países ?

  4. Concordo José, a situação actual do segredo de justiça permite que as fontes da justiça controlem a informação e podem bem instrumentalizar os jornalistas (e através destes, todos os cidadãos) em função de interesses que não têm a ver com a defesa do Estado de Direito. As fugas organizadas são sempre uma forma de instrumentalização porque as coisas só se sabem quando interessa a alguém que elas se saibam ou não saibam e também o enquadramento em que se saiba. Muitas vezes são postas a correr para que a opinião pública seja induzida a formar uma opinião antecipada sobre algo que a justiça não consegue provar. O contrário também pode acontecer e as fugas servirem para descredibilizar um processo por parte de quem tem interesse em fazê-lo. Porém, num sistema em que os jornalistas têm de lutar por audiências para manterem os postos de trabalho não há lugar a qualquer reflexão muito menos se recusa uma notícia que vende.

  5. josecoutonogueira diz:

    Estrela, para mim o problema é que nunca se conseguiu resolver esse “nó” do segredo de justiça. (Eu, pessoalmente, não tenho opinião formada, estou a descrever a questão.) Uma hipótese seria acabar com o segredo de justiça, mas isso imaginas os problemas que traria, não só aos visados, que iam para a praça pública logo na abertura das investigações, como para os próprios investigadores, que não iam conseguir investigar mais nada. A outra hipótese seria tornar o segredo de justiça uma espécie de segredo de Estado ultra-secreto, com controles apertadíssimos de toda a gente por quem os papéis passam (inclusive pessoal administrativo que os fotocopia ou scaneia). Isso não tem funcionado e, para funcionar, seria preciso gastar muito dinheiro e criar um estado policial dentro do aparelho de Estado. Fica a terceira hipótese, que é esta bandalheira, em que as pessoas furam o segredo de justiça, revelando à CS o que lhes interessa, para se safarem, ou para lixarem alguém, ou para criar problemas em tal área, sector ou grupo, etc. etc. E a CS também não se pode exigir – pode, mas não serve de nada – que sejam de uma probidade a toda a prova e perca uma manchete porque não é ético…
    Tens sugestões?

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