Um pouco de pudor não ficaria mal

Costa vitóriaSeria interessante fazer as contas a quantas vezes o nome de José Sócrates surge  nos textos de comentadores que escreveram ontem e hoje sobre a vitória de António Costa. Não podendo negar a evidência dos números, arranjaram maneira de atacar Costa por interposto Sócrates. Para lhes fazer a vontade, Costa teria de sanear pelo menos meio partido e refazer a história, incluindo as imagens onde ele a a sua “tralha” surgem representados. Há até quem faça organogramas com um hipotético governo só de “socráticos”. E um plumitivo e conhecido comentador televisivo escrevia no Correio da Manhã antes de conhecer os resuktados das primárias do PS:  À noite saberemos se o PS votou em Sócrates ou em anti-Sócrates

Dá que pensar, esta fixação em Sócrates. Porque será que ele continua a incomodar tanta gente? Será que usam o seu nome para exorcizar os demónios que afectam o actual governo? É interessante constatar a indignação de um deputado e dirigente do PSD contra a “cobarde denúncia anónima” sobre o caso Passos-Tecnoforma e não se lembrar como José Sócrates foi alvo de todo o tipo de cartas, denúncias, até dvds, enviados “anonimamente” a algumas televisões e jornais.

Este tipo de “pressão” sobre António Costam tentando colá-lo ao anterior governo do PS liderado por Sócrates, foi também usado por Seguro e pelos seus apoiantes com os resultados que se conhecem.

Ainda é cedo para fazer a história recente, mas um pouco de pudor não ficaria mal a certos comentadores.

 

 

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5 respostas a Um pouco de pudor não ficaria mal

  1. Nuno diz:

    Vou só repetir uma vez: 20 mil milhões de euros em 2010. São 12 mil milhões de euros a mais que o déficit de 2013 ou 2014. Foram €1200 por cada português que o estado gastou a mais nesse ano. E as responsabilidades para o futuro deixadas nas PPPs pesaram em 2013 e 2014 mais do que em 2010.

    Com esse tipo de dinheiro para esbanjar fazem-se coisas grandiosas, sem dúvida. Não lhes chamaria inovadoras.

  2. Nuno: Muita coisa os aproxima certamente, para serem do mesmo partido e terem pertencido ao mesmo governo. Mas distingue-os, desde logo, a formação académica e profissional; um é engenheiro, outro é jurista; a experiência de vida, a personalidade, bem visível, aliás, nas prestações públicas de cada um: Sócrates mais acutilante e verbalmente mais veemente e agressivo; Costa mais paciente, conciliador e contido. São dois líderes carismáticas com posturas diferentes. Não sei como será Costa como primeiro-ministro mas, diga-se o que se disser de Sócrates, foi um primeiro-ministro inovador, com uma visão para o País. Fez coisas que ficarão como marca, desde logo o plano tecnológico do País. Foi “apanhado” por uma crise que ninguém esperava e por uma Europa, cuja orientação para os estados membros conduziu ao endividamento. O que se passou a seguir, sobre a dita bancarrota, a história dirá se era possível evitar o resgate como foi feito sem resultados, como se está a ver, a não ser o empobrecimento, ou se à semelhança da Espanha e da Itália, havia outro caminho como queria Sócrates e a direita aliada à extrema esquerda não deixaram.
    Costa dirá a seu tempo, como pensa governar. Fazer agora promessas só serviria para depois virem dizer que prometeu isto e aquilo e não cumpriu. Ninguém pode agora dizer com rigor como vai estar o país daqui a um ano.

  3. Ainda não entenderam que a maior a queda de popuralidade de Seguro se deveu exactamente por não assumir a defesa do passado do partido e deixar Diabolizar no Parlamento e de modo despudorado a imagem de Socrates.Os Socialistas na sua maioria ainda acreditam no anterior 1º Ministro e não gostam,não aceitam, a maneira como a oposição não é contrariada por quem tem o deve de o fazer,o PS e os seus lideres em particular.

  4. Nuno diz:

    Agradeço então que explique o que distingue o Dr. António Costa do Eng. José Sócrates, de preferência nas palavras do próprio António Costa.

    Em vez de termos o Fernando Medina na linha da frente a dizer genericamente que José Sócrates “cometeu erros, fez coisas grandiosas,” seria bom que o próprio António Costa aparecesse a dizer quais foram os erros cometidos de que se pretende demarcar, bem como as coisas grandiosas a que pretende dar continuidade.

    Por exemplo, seria bom saber se classifica um déficit em 2010 agora revisto, de €20 mil milhões. Uma “coisa grandiosa”, certamente, visto que esses €20 mil milhões chegam para cobrir os déficits de 2013, 2014 e boa parte de 2012.

  5. Zy Yz diz:

    Esse tiro (falar de Sócrates) vai-lhes sair pela culatra, 70% são bem a prova disso.

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