Passos Coelho não concorda com a antecipação das eleições legislativas e já deixou um aviso: “As eleições só podem ser antecipadas em razão de alguma crise política que eu não desejo”. E na Casa das Artes, em Arcos de Valdevez, voltou ao tema referindo-se “aos que olham agora gulosamente para as eleições”.
É evidente que Passos não está interessado em apressar as eleições, tendo em vista as sondagens que têm surgido que dão o PS à beira da maioria absoluta. Joga, por isso, com algum desgaste de António Costa que permita ao PSD recuperar pontos no tempo que ainda falta,caso as legislativas venham a realizar-se em Outubro de 2015.
Ao escudar-se impropriamente na Constituição, o primeiro-ministro não faz mais do que aquilo de que tem acusado a oposição, isto é, pensar mais no seu interesse e no do seu partido do que no interesse do País, contrariando as opiniões unânimes em defesa da antecipação das eleições para permitir que o orçamento de 2016 seja preparado com tempo pelo governo que sair dessas eleições.
Pelo que se conhece da sua actuação, sem o acordo da actual maioria dificilmente o Presidente terá o “golpe de asa” de dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas.
Mas a oposição, e sobretudo o PS, deverão ter presente que a verificar-se, por absurdo, o citado “golpe de asa” e o Presidente vir a antecipar as eleições legislativas, Passos e o PSD não deixariam de se apresentar como vítimas de uma “aliança” entre o Presidente e o PS, acusando-os de não lhes permitirem cumprir o seu mandato.
A discussão pública seria então em torno da dissolução do Parlamento e não em torno da actuação do governo PSD-CDS e do estado em que deixam o País. As propostas do PS e da restante oposição seriam relegadas para um plano secundário. A actual maioria poderia, afinal, beneficiar da antecipação do calendário eleitoral.
Claro que as sondagens valem o que valem! É visível que o “ímpeto” reformista do
governinho já não tem folêgo, nem existe capacidade para corrigir os erros cometidos!
Começa a ganhar sentido a antecipação das eleições, até porque em fevereiro próximo
deve aparecer o primeiro rectificativo ao O.E 2015 que, como já se viu é um faz de conta
para continuar em linha com os “patrões” da U.E.! Quando, os parceiros sociais já dão a
entender que essa será a melhor opção, dada a inovação de transferir os “bónus” fiscais
para os anos seguintes, não haverá grande margem de manobra para o P.R. faça ouvidos
de mercador … desculpe esta linguagem mercantilista, basta a D. Maria dar um toque!!!