As revelações do Presidente

 

O Presidente Cavaco fez um discurso enfático e por vezes um pouco crispado no tom na condecoração de Durão Barroso, como que a justificar a atribuição da mais alta condecoração do País ao ex-presidente da Comissão Europeia.. Ora, não havia necessidade!Cavaco condecora BarrosoE não havia necessidade porque condecorar Durão Barroso nem sequer é notícia, o contrário, não condecorar, é que seria. O Presidente fez porém algumas revelações, pelo menos para a maioria dos portugueses, um pouco exageradas. Disse que «como poucos» pode «testemunhar quanto Portugal beneficiou da ação» de Barroso à frente da Comissão.” E citou ” o feliz resultado que Portugal conseguiu nas negociações sobre o quadro financeiro plurianual” que segundo Cavaco “também se deve ao doutor Durão Barroso, tal como o alargamento das maturidades e a descida das taxas de juro dos empréstimos que Portugal obteve no quadro do programa de ajustamento».

Passos Coelho não deve ter gostado de ver assim desvalorizado o seu papel de negociador de tais “vitórias” para o País. Afinal, ele reivindicava-as para o seu governo!

Mas tão rasgado elogio do Presidente a Barroso tem talvez um alcance mais profundo. Por um lado, o Presidente parece ter querido responder àqueles que criticam Barroso e o colocam “fora” da corrida às presidenciais por nada ter feito pelo País,  ter fugido para Bruxelas, ter-se aliado a Bush na invasão do Iraque, etc.. E daí, desfez-se em elogios que pôs Barroso de lágrima no olho.

O Presidente pode querer “ressuscitar” Barroso para as presidenciais, afastando assim “a má moeda” das presidenciais, isto é, Santana Lopes, que parece ser o favorito de Passos Coelho. Será assim? Pode não ser, mas alguma coisa significa um elogio tão empenhado que nem o próprio Barroso esperava.

E depois, a ausência de figuras da oposição e de outras de relevo na sociedade, para além dos governantes e membros dos partidos da maioria, (pelo menos a crer pelo que se viu nas televisões) fez da condecoração uma cerimónia restrita, quase privada.

 

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Uma resposta a As revelações do Presidente

  1. J. Madeira diz:

    Mais uma tentativa tosca de reescrever a história recente, no estilo dos
    famosos roteiros que ninguém lê mas, podem ser citados quando for
    conveniente e, passado algum tempo!
    Quanto muito o Durão Borroso foi um mau padrastro para os portugue-
    ses, lembram-se da famosa tirada, ou “comem” toda a austeridade ou
    temos o caldo entornado!
    Foi significativa a pateada e apupos que recebeu numa ida ao teatro
    em Almada por outro lado, entende mal qual a representatividade de
    Cavaco face à generalidade dos portugueses, para se sentir perdoado!!!

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