O grito do Ipiranga de Passos e Maria Luís

Desculpem-me todos aqueles que criticam o primeiro-ministro e a ministra das Finanças pela displicência e quase desdém com que eles receberam as críticas da Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional ao orçamento de Estado para 2015, devido às previsões excessivamente optimistas do governo para o défice e o crescimento.

“Previsões são previsões”, diz Maria Luís.  E Passos, o seu alter ego, acrescenta que a Comissão já se enganou antes e  nós é que sabemos, como quem diz “quem está no convento é que sabe o que lhe vai dentro”.

Até que enfim, o governo dá razão ao povo que através de múltiplas manifestações andou estes três anos a dizer que não queria a troika a mandar em nós.

Foi um regalo para os olhos e ouvidos ver Maria Luís, com aquele ar de professora-sem-paciência-para-aturar-burros, responder à Comissão: “As previsões da Comissão Europeia não são a determinação de resultado. São como as nossas – previsões – e a realidade é aquela que for”. Assim até dá gosto ouvir a “loirinha” (como lhe chamam cá em casa).

Mas  os velhos do Restelo do Conselho de Finanças Públicas vieram logo fazer coro com as críticas da doika (o terceiro parceiro da troika – o BCE- não disse nada, por enquanto). Bem sei que têm razão em criticar o Orçamento do Governo e que a troika continua a mandar em nós e a vir  cá vigiar-nos de vez em quando. Mas só o facto de Passos e Maria Luís terem finalmente dado o grito do Ipiranga, já me deixa um pouco confortada!

Prefiro gozar esta réstea de luz trazida pela rebeldia de Passos e Maria Luís do que continuar como  até agora sob um governo de lacaios da troika, querendo ir além dela e orgulhando-se da servidão que ela nos impunha.

O grito do Ipiranga contagiou os deputados da maioria.  A deputada do CDS, Cecília Meireles, seguiu o discurso  de Maria Luís e apontou o dedo: ” A Comissão já se enganou antes”.  E o secretário de Estado das rifas dos BMW, entusiasmou-se com  “S. Tomé”,  a pensar talvez em rifar aviões para aumentar a receita fiscal!

Dá gosto saber que finalmente passámos  a ser verdadeiramente independentes. O  irrevogável Portas pode agora acertar o relógio do Caldas. A troika já não manda cá!

Falta um ano para as legislativas.

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Uma resposta a O grito do Ipiranga de Passos e Maria Luís

  1. «Dá gosto saber que finalmente passámos a ser verdadeiramente independentes»? E passámos? E os ministros estão a ser sinceros? Ou é só para dizer, dos que não se deixam enganar, que são “os velhos do Restelo” (o contra-argumento do costume)?

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