Corrupção à portuguesa: primeiro os robalos, agora o vinho, falta encontrar a sobremesa….

A demissão do ministro Miguel Macedo é uma atitude digna que o enobrece. Só provoca surpresa porque em Portugal é raro acontecer. De facto, a atitude habitual é aquela que foi adoptada pelo primeiro-ministro, neste caso sem sucesso: deixar que o escândalo acalme e seguir em frente, como se nada fosse. Foi assim com o ministro da Educação e com a ministra da Justiça. Embora por motivos diferentes, o primeiro-ministro segurou-os e eles também se seguraram (ao poder). Miguel Macedo não quis ficar e fez bem. Abriu caminhos para si próprio no futuro.

A sua demissão mostra que o poder não está onde por vezes se pensa. O poder é volúvel e move-se dos lugares tradicionais para lugares inesperados ou menos previsíveis. Vejamos neste caso.

Aparentemente, ninguém no governo sabia da trafulhice na concessão de vistos dourados e muito menos que ela envolvia altos funcionários do Estado.   Com efeito, não se compreende que o director do Instituto de Registos e Notariado (IRN), António Figueiredo, amigo do ministro Miguel Macedo, soubesse, como foi noticiado, que estava a ser investigado e  que andava a ser escutado (e por isso pediu ajuda ao SIS), e não tenha informado o ministro, seu amigo, da situação. Ou será que avisou e o ministro não acreditou ou não ligou importância por confiar no seu amigo?

Se, por outro lado, a “explosão” do caso se deve a uma guerra entre polícias – a Judiciária de um lado e o SIS do outro, como se explica que os ministérios que tutelam as duas polícias  – Justiça e Adminstração Interna – não soubessem de nada? O SIS não informou o ministro Miguel Macedo do varrimento feito ao gabinete do diretor do IRN a pedido deste? E o director ro IRN não informou a ministra da Justiça de que estava a ser investigado e esta não sabia que isso já saíra nos jornais?

E, ainda por outro lado, não estando o ministro Miguel Macedo envolvido em qualquer suspeita, alguma coisa impedia  o Ministério Público de o informar de que o seu gabinete ia ser alvo de busca enquanto ele estava em conselho de ministros?

Ou o ministro sabia o que estava a acontecer mas não esperava que explodisse assim?  O ministro foi “apanhado” pelos poderes intermédios dentro do seu ministério?

E que segredo de Justiça é este que lança para os media informações sobre o processo que os advogados dizem estar em segredo de Justiça?  Se ninguém pode falar sobre o que aconteceu como é que se sabe que um dos factos apontados ao director do SEF  é a oferta, que lhe foi feita pelo presidente do IRN, de duas garrafas de vinho por ter “agilizado” a obtenção de vistos dourados?

Os alegados corruptos estão a tornar-se mais requintados: depois dos robalos, e do vinho espera-se agora que a investigação encontre a sobremesa….

Será bom que o Ministério Público tenha provas blindadas que sustentem as decisões que tomou e a perplexidade que estão a provocar.

 

 

 

 

 

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Uma resposta a Corrupção à portuguesa: primeiro os robalos, agora o vinho, falta encontrar a sobremesa….

  1. interessante deixem haja uma mensagem e uma colagem no facebook do Miguel Relvas onde o elogiava, porque no meio deste chavascal ele foi a única pessoa decente, Como uma virtude quase única quando amigo de uma pessoa é quase canino

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