O governo continua a hostilizar a RTP

rtp_logo[1]A maneira hipócrita (não tenho outro termo) como o governo trata entidades que tutela  está bem patente nas declarações do ministro da Presidência sobre o interesse da RTP na aquisição dos direitos de transmissão dos jogos da Liga dos Campeões. e as do gabinete do ministro Poiares Maduro, que tutela a RTP, sobre o mesmo assunto.

Não conheço os detalhes da proposta da RTP para aquisição dos direitos dos jogos da Champions, cujo montante anunciado nos jornais a empresa desmentiu, contudo sem os corrigir expressamente, o que devia fazer. Mas não é isso que suscita este meu comentário.

O que me indigna é o facto de o governo continuar a tratar a RTP sem respeito pela autonomia dos seus órgãos. Por um lado, afirma que a “desgovernamentalizou” ao criar um Conselho Geral Independente. Por outro,  não se coíbe de dar opiniões sobre decisões da empresa como seja se deve ou não investir na transmissão dos jogos da Liga.

Vejamos as declarações dos dois ministros: o gabinete do Poiares Maduro remeteu a questão para o Conselho Geral Independente (CGI), sabendo perfeitamente que este órgão ainda não se pronunciou sobre o projecto estratégico da empresa, uma vez que o contrato de concessão nem sequer foi assinado porque o ministro da tutela, precisamente Poiares Maduro,  ainda não marcou uma data. Ora, não compete ao CGI aprovar ou reprovar actos avulsos tomados pela administração da empresa, mas sim aprovar o seu projecto estratégico, no qual se incluirão ou não transmissões da natureza da que está em causa.

Quanto às declarações do ministro da Presidência, elas são infelizes a vários títulos. Desde logo, ao socorrer-se do seu antecessor Miguel Relvas – que enquanto ministro com a tutela da RTP ordenou  que a empresa não concorresse à compra dos direitos da Liga – o actual ministro mostra que afinal o governo mantém a posição de hostilidade do ministro Relvas face ao operador público, impedindo-o de decidir a sua estratégia para as emissões, ao mesmo tempo que lhe retira financiamento público.

Por outro lado, o ministro da Presidência parece desconhecer que a RTP é actualmente financiada apenas pela contribuição para o audiovisual paga pelos cidadãos e pela publicidade, uma vez que o governo lhe cortou as indemnizações compensatórias. Temos, pois, que o governo quer continuar a mandar na RTP, condicionando as suas decisões, mas não quer pagar o serviço público que ela presta.

A reacção da TVI contra a candidatura da RTP à aquisição dos direitos de transmissão dos jogos da Liga, é natural.  A TVI poderá até ter razão no argumento de “regulação do mercado que cabe à RTP”.

O que não faz sentido é o governo intrometer-se no assunto, pressionando o Conselho Geral Independente a intrometer-se também ele numa decisão que compete à empresa e que mereceu o apoio do conselho de redacção.

Também os títulos da imprensa sobre este assunto denotam um posicionamento manipulador, que o governo, aliás, aproveitou, como sejam:

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2 respostas a O governo continua a hostilizar a RTP

  1. J. Madeira diz:

    Bem anotado, este des-governo continua a ser pródigo em trapalhadas!
    Lamentávelmente, ainda teremos que o gramar por mais 9 meses, a não
    ser que, a falta de “milagres” obrigue a antecipar as eleições! Até, com o
    desporto rei metem a pata na poça … é muita incompetência !!!

  2. jose neves diz:

    caro Vai e Vem,
    Repare que o verdadeiro, o grande “vai e vem e vai” que existe no país é o próprio governo actual.
    Qualquer ministro e muito especialmente o pires de lima sobre qualquer aqssunto como este remata da seguinte forma: nós não nos metemos nos assuntos das empresas, nós não somos como o governo anterior que se metia em tudo, queria dirigir tudo, fazia de dono de tudo mas nós não.
    Passado uns segundos, ao ser-lhes perguntado que desse modo ao deixar a empresa ao sabor da gestão duvidosa corre sérios riscos, o pires logo responde que nada disso porque ele já reuniu com a adminisreação e acordou a nível superior o que se deve fazer.
    Se estiver atenta, nestes casos das relações do governo com as empresas e, notoriamente com o pires, é quase invariavelmente assim.
    Eles são todos e tudo pelo liberalismo mais Hayekiano individualista e proclamam-o, contudo, como ainda são maiores e mais fortes de sentido individualista controleiro mamipulador, não resistem um grama a intervir se lhes cheira a possível proveito.
    Eles são os verdadeiros vão-vêm-vão-vêm sempre sob a conversa da treta que não são como o governo anterior: pois não são muito piores, como no resto.

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