O industrial, o banqueiro e as respectivas irmãs

PQP na ARVi Ricardo Salgado na Comissão de Inquérito e acompanhei as notícias e os comentários, quase todos condenando-o. O banqueiro outrora querido de quase todos os jornalistas e políticos é agora cilindrado sem apelo nem agravo por uns e outros. Ouvi também o primo Ricciardi e o industrial Pedro Queirós Pereira (PQP), tendo o primeiro obtido “boa” imprensa e quanto ao segundo, amanhã se verá.

Deixando a substância das declarações de cada um para quando as coisas estiverem mais claras, há desde já uma nota digna de registo: o industrial e empresário Pedro Queirós Pereira, o primeiro a denunciar Salgado ao Banco de Portugal, achou por bem dizer aos deputados que as irmãs de Ricardo Salgado “ficam à noite em casa a fazer bolos para vender em restaurantes e ele nunca se preocupou em defendê-las”.

A frase foi dita em tom de acusação, como comentário ao facto de Salgado ter dito ontem que “apenas serviu de intermediário entre PQP e as suas irmãs, procurando defender os interesses destas.”  Hoje, o industrial que tão bem soube passar aos deputados a mensagem de que não é político, não fala com políticos nem precisa de ministros para fazer negócios, foi capaz de encontrar uma frase “assassina” para tentar ridicularizar ou humilhar o banqueiro Salgado.

Para um grande industrial, como é o caso de PQP, um banqueiro ter irmãs que fazem bolos à noite e os vendem aos restaurantes, é talvez uma nódoa no currículo do banqueiro. Porque sendo banqueiro devia, talvez, no entender de PQP,  ter irmãs do tipo Lili Caneças, Cinha Jardim ou outras figuras do jetset nacional que se passeiam em festas para as revistas da sociedade.

E o pormenor de os bolos serem feitos “à noite” também não parece inocente. Porque será que PQP achou relevante referir que os bolos são feitos “à noite”? Será para sugerir que é para se esconderem do pessoal que, eventualmente, frequente a casa durante o dia? E fazer bolos e vendê-los a restaurantes é chocante para um empresário? E se os bolos fossem oferecidos mereceriam referência de PQP?

Não sei qual a origem social de PQP nem  das suas irmãs. Mas talvez o empresário não saiba que houve tempo em que as raparigas oriundas de famílias abastadas, eram educadas para saberem cozinhar, incluindo fazer bolos e doçaria, dirigir uma “casa” educar os filhos e outras funções atribuídas à mulher. Não sei se é ou não o caso das irmãs de Ricardo Salgado. Não sei se seguiram ou não carreiras profissionais, se “estudaram” ou não, ou se, como tantas mulheres da geração que agora tem 60 ou 7o anos, ficaram em casa a cuidar da família e para além disso sabem fazer bolos e até têm quem os compre.

Seja como for, o industrial que se apresentou na Comissão como o grande moralizador que denunciou o banqueiro prevaricador usou contra este um  argumento mesquinho,  ao invocar que as irmãs do banqueiro “fazem bolos à noite para venderem a restaurantes”.

 

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3 respostas a O industrial, o banqueiro e as respectivas irmãs

  1. O que dizem os banqueiros,os industriais e tu,Viriato à Paulada,é só barulho, até ser provado. Mantém a calma.

  2. cristina diz:

    Pelo tempo k “convivi” com a familia,nunca houve necessidade de as sras se ocuparem da lide domestica!…alem do pessoal a exercer tal cargo havia o Mordomo Placido k fazia otimos bolos e durante o dia!!! Alem disso as sras eram, e talvez ainda sejam, muito bem casadas!

  3. Não deixou também de elogiar Sócrates sem constrangimentos, apesar de este se encontrar preso. “Queiroz Pereira: “Sócrates só mostrou interesse no desenvolvimento do país”
    Os contactos do empresário com José Sócrates resultaram num investimento de 600 milhões de euros na nova fábrica de papel de Setúbal, criada em 2009.
    O dono da Portucel deixou elogios a José Sócrates na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES. Negando que José Honório fosse um “facilitador político”, como sugerido pelo deputado comunista Miguel Tiago, Pedro Queiroz Pereira acrescentou que ele resolvia aspectos no contacto com os políticos porque as pessoas tinham por ele “consideração” devido ao trabalho desenvolvido.
    “Por exemplo, nos contactos que tive com o engenheiro Sócrates, resultaram num investimento de 600 milhões de euros em Setúbal”, contou Queiroz Pereira aos deputados esta quarta-feira, 10 de Dezembro 2014. Se não fosse esse contacto, em vez de Setúbal, essa fábrica de papel estaria na Alemanha. A fábrica de papel foi criada em 2009.
    “Pese embora José Sócrates seja muito atacado, tudo o que tratei com José Sócrates, só mostrou interesse no desenvolvimento do país”, defendeu o empresário que detém a cimenteira Secil e a papeleira Portucel.
    “Pode haver é outras coisas”, acrescentou ainda Queiroz Pereira.
    José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal entre 2005 e 2011, encontra-se detido por suspeitas de crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção. Por: Negócios / 10 Dezembro 2014, 19:16 por Diogo Cavaleiro | diogocavaleiro@negocios.pt“.
    http://viriatoapedrada.blogspot.pt/2014/07/a-maior-cabala-e-mentira-depois-de-74.html

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