O mais importante neste artigo é a nota de rodapé

O artigo que a seguir reproduzo saíu no Expresso deste sábado, da autoria de uma magistrada que o assina com um pseudónimo. É um artigo sereno que defende princípios óbvios e por isso espanta que tenha sido escrito sob pseudónimo.

O que levará então uma magistrada a escrever sob pseudónimo um artigo que não acusa nem defende ninguém, não discute nem divulga processos em segredo de justiça, não viola leis nem  nada que aparentemente possa pôr em risco a sua vida ou a sua profissão?

Sim, porque quando se usa um pseudónimo é porque se receia que algo se pode voltar contra si, se o que se quer dizer for dito em nome próprio.

Será que a “magistrada Luísa Gusmão”  (o pseudónimo remete para a célebre frase da personagem histórica,  duquesa D. Luísa de Gusmão, incitando o marido, o futuro D. João IV, a aceitar a coroa, em 1640- “vale mais ser rainha uma hora do que duquesa toda a vida”), será, dizia, que a magistrada receou sofrer represálias por se insurgir contra o “programa condenatório” que parece “dispensar o contraditório” e antecipa a condenação como “único desfecho possível” (no caso José Sócrates?)

Será que há medo na magistratura? 

Eis o artigo da “magistrada Luísa Gusmão”

magistrada sob anonimato Expresso 14-12-2014(imagem do artigo completo actualizada em 15-12-2014)

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2 respostas a O mais importante neste artigo é a nota de rodapé

  1. Maria Marques diz:

    Em contrapartida, o autor do blogue transparente tem muito mais a temer e não hesita. O resto não surpreende mesmo nada, a cultura imposta por estas gentes do “poder” está a dar resultado quando semeia o medo e a inibição para falar livremente. É urgente combater esse monopólio sobre as mentes.

    http://transparente.blogs.sapo.pt/caso-socrates-nao-ha-almocos-gratis-32568

  2. J. Madeira diz:

    É óbvio que, quem semeia ventos colhe tempestades! Nesta altura, muita gente pode
    estar convencida da culpabilidade de José Sócrates, porque em muitos meios de co-
    municação social, se fez tábua rasa da presunção de inocência que qualquer arguido
    de merecer especialmente, quando é detido por “fortes” indícios colhidos ao longo de
    mais de um ano de “investigações” … depois, saiem a conta gotas umas dicas sobre a
    estranheza do juíz de instrução, fala-se de escutas (gravadas) que fácilmente podem
    ser adulteradas, qualquer técnico de som explica como se faz, é caso para nos interro-
    garmos se estamos num Estado de Direito ou já estamos no antigamente ?
    Não acredito que Sócrates esteja detido só por vontade do procurador com a confirma-
    ção do juíz de instrução … não se pode deter um ex Primeiro Ministro de Portugal só
    por “notícias” de pasquins, por ter amigos, por meras suspeições, mais pessoas para
    além da PGR devem ter dado o OK para a operação avançar desta forma!
    Não se pode invocar que a Justiça tem os seus tempos, que o CPP é bíblia dos princi-
    pais operadores pois, é importante manter o bom senso porque ou aparecm rápido as
    provas ou o caldo pode entornar descontroladamente!!!

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