RTP: agitam-se as vozes, eleições à vista

Marcelo Rebelo de Sousa criticou esta noite a situação na RTP pelo facto de, num ano de eleições, a administração da empresa estar de saída depois de o Conselho Geral Independente ter proposto a sua destituição e o governo a ter aceite, sem se saber quando será nomeada uma nova.

É claro que a instabilidade existente na RTP é indesejável a todos os títulos e prejudica grandemente a sua credibilidade perante os cidadãos, provocando incerteza e insegurança nos seus profissionais. Não deveria, contudo, ser o facto de haver eleições a justificar uma preocupação acrescida pela demissão da administração, já que não é esta que garante o pluralismo e a isenção da informação mas sim os responsáveis pelos conteúdos, nomeadamente os jornalistas e as direcções de informação e de programas.

A preocupação manifestada pelo professor Marcelo parte do pressuposto de que a administração da RTP (esta e as anteriores) tem capacidade para influenciar ou manipular a informação, reservando aos profissionais o papel de marionetas ao serviço de um qualquer governo. Essa é, aliás, também a convicção do ministro Poiares Maduro, implícita na insistência com que fala da “desgovernamentalizaçao da RTP” miraculosamente conseguida com a criação do Conselho Geral Independente.

A preocupação do professor Marcelo com a situação de vazio criada pela destituição da actual administração da RTP sem que se vislumbre para breve a sua substituição, tem um lado realista e vem pôr à prova a capacidade do Conselho Geral Independente para definir  critérios transparentes e sólidos para a escolha da nova administração,

Mas a nomeação de uma nova administração representa também um desafio à capacidade do governo para se manter afastado do processo e de resistir à tentação de influenciar directa ou indirectamente a escolha dos membros, seja através da pessoa que deterá o pelouro das finanças (que necessita do seu parecer positivo) quer através de “palpites” para os jornais, como aconteceu com as observações do ministro Marques Guedes sobre os jogos da Liga dos Campeões.

A nomeação de uma nova administração para a RTP em vésperas de eleições devia ter sido evitada pelo governo, porque por muito independentes que sejam os seus membros e por mais transparente que seja o processo de nomeação, não se livra de ser olhada como possuindo objectivos políticos.

Se a nova administração usar para com os directores de conteúdos o critério de rejeição do plano de actividades e do orçamento em vigor, como fez o Conselho Geral Independente ao rejeitar o plano estratégico da actual administração (que, aliás, tem o apoio dos directores) para  substituir as chefias actuais por outras da sua “confiança”, aí sim, estará criado um problema sério agravado pelas especiais exigências impostas à  RTP  em períodos eleitorais.

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3 respostas a RTP: agitam-se as vozes, eleições à vista

  1. cristof9 diz:

    Fico com a impressão que o problema sério na RTP se começa a tornar no desperdício de dinheiro gasto numa situação que se vai tornando “local” e insignificante não fosse o dinheiro ser de todos.Nos conhecidos se falo no que deu a RTP ninguém viu nem lhes noto interesse em ver.
    No fim a animosidade que notava nos privados pela concorrência da RTP nem precisou de alterações para deixar de contar. Eles e o seu umbigo vão encaminhando as coisas.

  2. JS diz:

    A preocupação do Marcelo é, simplesmente, saber se na nova administração estará alguém da sua cor, que o ajude na sua campanha presidencial ou nem por isso.
    A qualidade da informação é tudo menos uma preocupação para o prestidigitador de bairro.

  3. Manuel Rocha diz:

    Cara Estrela Serrano,

    Compreendo a sua preocupação. Mas ficou-me uma dúvida: considera que a RTP é um exemplo de jornalismo independente ? É que depois de ver programas como um certo “Sexta às 9” sobre as casas de Sócrates , e de assistir a aberturas de telejornais que fazem eco de maços de papéis a que alguns chamam jornais sem confirmação nem contraditório e sem o minimo pudor ético em relação ao efeito sobre a dignidade dos visados, não acredito na independência do jornalismo que se faz na RTP. Não sei a quem serve, não lhe conheço a agenda, mas uma coisa sei: não é serviço público!

    Cumprimentos,

    MRocha

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