Diz o DN de hoje que o procurador Rosário Teixeira e o juiz Carlos Alexandre “acusam Sócrates de manipular investigação com entrevistas“. Diz ainda este jornal que os dois magistrados “estarão convencidos que as entrevistas dadas por José Sócrates à comunicação social são uma forma de reproduzir o que foi dito em interrogatório judicial, logo, um exemplo claro de violação de segredo de Justiça.”
Procurei em vão a confirmação da notícia através de um comunicado ou de uma nota de imprensa no site da Procuradoria-Geral da República ou do Tribunal de Instrução mas nada encontrei. Do mesmo modo, não encontrei qualquer desmentido da parte do juiz ou do procurador à notícia do DN.
Não tenho razões para pensar que o DN não confirmou a notícia junto do procurador e do juiz, (isto admitindo que a mesma lhe pode ter sido fornecida por terceiros). Aliás, nenhum outro jornal a publica, pelo que é legítimo concluir que o procurador e o juiz preferiram “passar”ao DN, oficiosamente, a sua posição sobre as respostas de Sócrates à TVI, em vez de se pronunciarem institucionalmente de forma transparente.
É mau que o procurador e o juiz se escondam atrás de jornalistas para mandarem recados anonimamente, enquanto o Ministério Público afirma que o processo está em segredo de justiça. De facto, o modo como a justiça conduz a sua relação com os media, e através destes com os cidadãos, denota uma total falta de respeito pelo direito à informação. Porém, se isso já é uma aberração, o conteúdo da mensagem que juiz e procurador passaram ao DN não o é menos.
Desde logo, aparentemente, confundem uma entrevista jornalística com um conjunto de perguntas enviadas pela TVI a Sócrates (como já tinham feito, embora com menos detalhe, a TSF, o Público, a RTP e o DN). Trata-se, nestes casos, mais de questionário, formato usado (por exemplo) na investigação científica, concebido para ser feito à distância, sem interacção entre quem pergunta e quem responde. Numa entrevista, seja presencial, telefónica, ou online (por skype, chat, etc.), entrevistador e entrevistado interagem num contraditório sistemático.
Ao autorizarem Sócrates a responder a perguntas mas não a dar uma entrevista (presencial) ao Expresso, o juiz e o procurador mostram afinal que receiam sobretudo o contraditório que na entrevista presencial seria necessariamente exercido pelos jornalistas às respostas de Sócrates e que poderia favorecê-lo, na medida em que o obrigaria a ir mais fundo nas explicações.
A não ser que venham a proibir Sócrates de falar aos media, não se vê que a sua prisão preventiva evite o “ruído” que o juiz e o procurador consideram que em liberdade ele causaria à investigação. Pelo contrário, o alarme social causado pela não concretização das suspeitas que sobre ele recaem, ameaça tornar-se insustentável para a própria justiça. Aliás, como quem sabe da matéria demonstra aqui, a detenção de Sócrates é, além do mais, juridicamente muito problemática.
Acresce que se é verdade que a investigação já dura há muito tempo, que provas receiam o juiz e o procurador que Sócrates pudesse destruir fora da prisão? Afinal, o juiz e o procurador têm medo de quê?

Muitas vezes, interrogo-me, qual a razão do Sr. Eng. Sócrates, ser tão perseguido! Foi logo que começou a ser 1º.Ministro! Nunca se provou nada. Agora, fora da governação, aparecem novas acusações! Para mim é puro jogo politico, eles querem que o pais volte de novo ao antigamente e sabem que ele é um verdadeiro democrata. Ou então ele sabe muito e querem-lhe fechar a boca.
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A notícia do DN parece não ser fiável, na realidade a jornalista não deve ter
lido na íntegra as respostas dadas por José Sócrates pois, ele limita-se a
desmentir o que tem sido publicado nos tablóides e, reafirma que nada sa-
be do processo para além do genérico que é do domínio público, até por-
que o juíz de nada o informou (indícios e factos)! Manipulação de quem ???
Têm medo que se veja a burrada que fizeram