Charlie

Je suis Charlie

A democracia é uma coisa difícil. A liberdade de pensamento e de expressão é indissociável da democracia. Os que hoje barbaramente atentaram contra o jornal satírico “Charlie Hebdo” matando oito jornalistas e dois polícias agiram como bárbaros. São terroristas que se escudam atrás de uma alegada religião, seja ela qual for. Chamar-lhes “fanáticos”, é pouco. Simplesmente, não merecem ser livres porque não respeitam a liberdade dos outros e usam a sua para matar.

Charlie polícia mortoA imagem (supra) de um polícia caído na rua a uma primeira bala mas ainda vivo e esta outra (infra) do terrorista correndo para disparar novamente sobre ele matando-o com uma bala na cabeça ao ver  que ele ainda mexia e falava, ficarão para sempre como marca de um acto de terror frio e calculista que não conhece limites e para o qual não há palavras.

Charlie terrorista

Charlie foto reuters

O pior que podia acontecer era que o medo tolhesse a liberdade de critica e que alguma forma de censura assomasse por detrás do medo.

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6 respostas a Charlie

  1. Pingback: Crónica dos dias de terror vistos do sofá, frente à televisão | VAI E VEM

  2. José Rodrigues diz:

    Bem, julgo que a referência “aos tiros” é desnecessària. Não gostava de me sentir naquela posição dos que se vêm na necessidade de começar por dizer que nunca votaram em Sócrates para criticar o processo de que está a ser alvo. Mas vamos ao caso, que não é este.
    Sabe, para mim a questão do “enquadamento legal” da liberdade de expressão não é o mais importante. De resto, ambos sabemos que mesmo quando há condenações por eventuais excessos os danos já são irreparáveis. E é esta constactação que me leva a colocar a questão ao nivel da relação das redações com o respectivo Codigo Deontológico. Soljenitzin dizia que a única fornteira que aceitava para a liberdade era a auto-limitação. Ora, sendo o Codigo Deontologico dos Jornalistas um exemplo claro de reconhecimento da necessidade de auto-limitação na liberdade de expressão, que é que se passa para que a sua violação sistemática seja a regra ?

    JMRocha Rodrigues

  3. José Rodrigues (MRocha) as questões que coloca são pertinentes. Sem dúvida que muitas das caricaturas do Charlie Hebdo são provocadores e agridem convicções e crenças profundas de muitas pessoas. E é também verdade que a liberdade de expressão tem limites previstos e punidos pela lei, desde logo, atentados ao bom nome e à privacidade. Porém, as caricaturas de que estamos a falar, de sátira religiosa ou política, não se enquadram nesse tipo de delito. Mas se forem atentatórias de direitos devem ser tratadas em sede própria (os órgãos reguladores ou os tribunais) e não aos tiros. Aliás, o Charlie já foi objecto de suspensão precisamente por ter excedido limites à liberdade de expressão.

  4. José Rodrigues diz:

    Obviamente condeno sem qualquer reserva o sucedido.

    Mas gostava de comentar à margem deste atentado concreto para deixar uma questão que sempre me suscitou sérias dúvidas. Ela prende-se com a utilização do ” humor para explicar e viver a sociedade “, e é a seguinte: quando o humor ridiculariza intencional e objectivamente o direito do outro às suas crenças e às suas ideias de sagrado, de que tipo de “liberdade” é que estamos a falar?
    A mesma questão poderia também ser colocada noutro plano: quando a dita “liberdade de expressão” é usada para atentar pública e deliberadamente contra o direito que todos temos ao bom nome, de que género de “liberdade” é que estamos a falar?
    Destas questões não resulta a defesa de qualquer género de censura. Concordo quando diz que “O pior que podia acontecer era que o medo tolhesse a liberdade de critica e que alguma forma de censura assomasse por detrás do medo”.Mas a questão central mantém-se: é um exercício de liberdade o desrespeito intencional, objectivo, dos direitos do outro ? Ofender, difamar, são exercicios legitimos de “liberdade de expressão”?
    MRocha

  5. Abraham Studebaker diz:

    A imagem é terrível,claro. Mas a guerra (?) é isto,e por isso horrenda. Se o terrorista deixasse o polícia vivo,este ia baleá-lo peias costas.

  6. Spartacus diz:

    Hoje, tanto os que escrevem, fotografam, desenham ou editam, como nós outros, os que lêem, somos todos Charlie.

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