Proença de Carvalho, o advogado do “diabo”

Entrevista com Daniel Proenca de CarvalhoNa sequência da divulgação de parte das escutas feitas a José Sócrates, o advogado  Proença de Carvalho tornou-se uma espécie de “advogado do diabo”, com alguns jornalistas e comentadores a questionarem  o seu cargo no grupo Controliveste onde é Presidente não-Executivo desde Novembro de 2014.

Discutir a presença de Proença de Carvalho na Controlinveste (da qual não é accionista), envolve discutir quem são os donos dos meios de comunicação social. Infelizmente, o Portal de Transparência da ERC não está actualizado mas é possível conhecer alguns dados importantes para essa discussão.

Na Controlinveste o empresário angolano António Mosquito detém  27,5% do capital, tal como Joaquim Oliveira, enquanto o empresário Luís Montez detém 15%, tal como o BCP e o BES. Tratando-se de um grupo privado, Proença de Carvalho foi escolhido pelos accionistas para o cargo que exerce.

Proença de Carvalho é uma pessoa com experiência de meios de comunicação social, tendo sido director do  Jornal Novo, em 1975. Ministro da Comunicação Social do IV Governo Constitucional em 1978 e presidente do Conselho de Administração da RTP em 1979. A sua nomeação para Presidente não-Executivo da Controlinveste não é, pois, desadequada face à sua experiência profissional.

Vejamos agora  quem são os accionistas de dois dos jornais mais empenhados na divulgação do processo Sócrates, para além do Correio da Manhã: o semanário Sol e o diário i, este último um dos mais críticos da presença de Proença na Controlinveste. O Sol e o i são propriedade da Newshold, empresa de capitais angolanos, que tem como principal figura o  empresário e banqueiro angolano Álvaro Sobrinho, accionista da Pineview Overseas, sociedade com sede no Panamá, detentora da Newshold. Da estrutura accionista da Newshold fazem ainda parte vários membros da família Madaleno. Álvaro Sobrinho  possui ligações à Akoya Asset Management, a empresa que está no epicentro da investigação à rede de lavagem de dinheiro, baptizada de Monte Branco e ao BES, através do BESA.

Ora, se Proença de Carvalho que não é nem nunca foi, que se saiba, suspeito ou arguido por prática de crimes, não deve nem pode, segundo os citados críticos, ser presidente não-executivo de um grupo de media, como é que Álvaro Sobrinho,  suspeito de crimes de branqueamento de capitais, pode ser dono de  jornais?

E se os jornais da Controlinveste não podem cobrir com isenção, como dizem os mesmos críticos, as empresas em cujos órgãos sociais Proença de Carvalho tem lugar, como é que o Sol e o i podem ser isentos a falar do BESA e de todos os negócios das famílias Sobrinho e Madaleno?

Um pouco mais de coerência e responsabilidade não faria mal a quem escreve nos jornais. O que não impede  que se diga que é cada vez mais necessário clarificar a detenção da propriedade dos meios de comunicação social e aprofundar o escrutínio das suas práticas através de formas de auto-regulação.

Recordo aliás que foi o governo de José Sócrates, contra a actual maioria que nos governa, que aprovou uma lei que visava tornar transparente a propriedade dos meios de comunicação social que, contudo,  foi vetada por Cavaco Silva.

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4 respostas a Proença de Carvalho, o advogado do “diabo”

  1. victor ribeiro diz:

    coitado do Povo Português

  2. Pingback: Viver Ramalde - Viver o Porto

  3. J. Madeira diz:

    Foi a actual maioria e, o ainda presidente da República os beneficiados
    pela maior parte da comunicação social daí, a explicação simples da ra-
    zão para o veto da Lei do Governo de Sócrates! Desde as famosas cé-
    lulas laranja por tudo quanto é jornal ou estação de TV, onde vários di-
    tos profissionais da comunicação foram recrutados para gabinetes do
    governinho, não confundir com Jornalistas … sem esquecer os investi-
    mentos em publicidade paga, tudo se compreende !!!

  4. A.M. diz:

    Zangam-se as comadres, sabem-se as verdades…
    Tão velho como o mundo.
    Aliás, o caso Sócrates não faz mais do que confirmar, até agora, as máximas da experiência comum, incluindo esta de que os amigos, com a intenção de nos ajudarem, muita vez só nos afundam.
    Coitado do Sócrates, os amigos se se calassem talvez ajudassem mais!

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