O “cofre fechado no DCIAP” afinal não estava assim tão fechado

Percebe-se a insistência do Correio da Manhã (CM) na procura de provas contra Sócrates usando para isso todos os meios ao seu alcance. Não se trata da parte do CM  de uma investigação desinteressada, como deve ser toda a investigação jornalística. Pelo contrário, é uma investigação em que o CM é parte interessada. O próprio CM o diz, sem o dizer. É que Sócrates processou o CM  alegando “perseguição” à sua pessoa  e exige  1 milhão de euros ao CM.

O CM precisa, pois, de mobilizar todas as suas fontes e insistir no assunto para influenciar o tribunal e criar a percepção pública de que Sócrates não tem razão.É que se o CM for condenado a pagar 1 milhão de euros ao queixoso talvez os ganhos com a venda das edições sobre Sócrates não compensem a indemnização exigida. (O patrão da Cofina é capaz de não achar graça se tiver de indemnizar Sócrates).

Isso justifica em grande parte o enfoque do CM no advogado Proença de Carvalho que defende Sócrates nessas acções contra o Correio da Manhã. Pelo que, as escutas do processo dão, a esse nível, um jeitão, E se o CM contar com auxiliares no meio judicial, tanto melhor. Nem que para isso tenha que se socorrer de  escutas “fechadas em cofre no DCIAP”, “FECHADAS”. Ora leia-se:

Escutas a Sócrates recorte fechadas em cofre CM 22 Jan 2014

Escutas a Sócrates fechadas em cofre CM 22 Jan 2014

O problema é que o Correio da Manhã com este tipo de escritos  desacredita ainda mais a Justiça, em particular o DCIAP. De facto, se as escutas estão “fechadas em cofre” alguém com acesso ao “cofre” lhas deu a conhecer e  só pode ser um membro da equipa do procurador Teixeira e do juiz Alexandre. Se assim não for, então a bagunça ainda é maior.

O jornal i vem “esclarecer” um pouco mais a questão das escutas  e do cofre. Diz que há algumas em que  Sócrates está a falar sobre a vida interna do PS mas essas o procurador Teixeira mandou-as selar. Possivelmente porque nenhum jornal “amigo” as pediu.

Há quem diga que o importante não é a violação do segredo de justiça mas o que resulta dessa violação, isto é, o importante não é que a justiça faculte o acesso a escutas em segredo de justiça mas o que elas contêm. Ora, este é um raciocínio perverso porque parte do princípio de que os fins justificam todos os meios.

De facto, quem, sob anonimato, permite o acesso de jornalistas a escutas de um processo em segredo de justiça fá-lo por uma de duas razões: ou pretende que elas sejam publicadas, com objectivos inconfessáveis, ou quer agradar e ganhar a confiança do jornalista a quem as cede (para uso posterior ou informação de background).

Em qualquer dos casos, está-se perante uma fonte interessada que deveria merecer do jornalista uma reflexão sobre o que leva um agente da justiça a violar o segredo de justiça Certamente será um interesse poderoso.

Isso não significa que o jornalista não investigue por sua conta e risco a informação a que tem acesso, ainda que por meios ilícitos, se a considerar relevante e de interesse público. Mas não é isso que se passa no caso Sócrates (caso Marquês). As escutas (e outras partes de processos em segredo de justiça) são regra geral publicadas acriticamente e  sem investigação suplementar não só sobre o seu conteúdo como sobre os interesses de quem as fornece.

O que vemos neste processo, nos jornais Correio da Manhã, i e Sol, é não só a colagem do discurso jornalístico às teses da acusação, como  situações em que o jornalista se mete na pele da fonte para a representar e assumir as suas “dores”. Foi o caso da “notícia” sobre o procurador Teixeira que quer vigiar o sorteio do recurso de Sócrates e do desmentido do  presidente da Relação de Lisboa a dizer que “não acredita” que o procurador venha a pedir para assistir ao sorteio.

Desconstruir as notícias sobre processos judiciais é cada vez mais necessário. Para que não nos tomem por parvos!

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4 respostas a O “cofre fechado no DCIAP” afinal não estava assim tão fechado

  1. OOps…não sou de manifs, manifesto-me pela escrita…:-)

  2. Maria diz:

    As gaffes habituais de Tânia Laranjo. Essa “jornalista” é de partir o coco a rir.

  3. carlos Faria diz:

    Gostaria que os snrs. que manipulam a justiça neste país, tivessem a decência a honestidade de esclarecer que o cidadão José Sócrates, não está preso por as causas que a comunicação social nos vem impingindo quase todos os dias. Seriam mais honestos se lhe conferissem a acusação de preso politico. Julguei que esse género de processos tivessem acabado desde 25 de Abril de 1974, mas infelizmente equivoquei-me!

  4. A.M. diz:

    Estrela Serrano, vamos a Évora, à manife?
    (Pode parecer que não tem nada, isto, a ver com o seu escrito. Mas tem…)

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