O “conto de crianças” ou o velho provérbio “quanto mais te baixas mais o rabo te aparece”

Obama disse à CNN paravas simples e óbvias mas nos tempos que correm são raras e por isso soam como palavras sábias: “Não se pode continuar a apertar os países que estão numa depressão profunda. Em algum momento tem de haver uma estratégia de crescimento para que esses países possam pagar as suas dívidas e reduzir os seus défices”

Por cá, o primeiro-ministro teve, perante as primeiras declarações do novo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras,  a reacção do discípulo obediente de Angela Merkel que nunca deixou de ser. Mas s o seu destempero verbal não ficou isolado. Muitos comentadores e jornalistas criticam o “radicalismo” de Tsipras e do seu ministro das Finanças quando afirmam que não pretendem negociar com a troika nem pedir novo programa de ajuda.

Essas críticas ignoram que Tsipras sempre afirmou que pretende negociar condições mais favoráveis para que o país possa pagar aos credores. Ora, negociar significa que cada parte na negociação tem de ceder algo. Se pretende obter 100 e a outra parte só pretende dar 50, tem de começar por “oferecer” 200 para que a outra parte ceda na mesma proporção e possa vir a obter os 100 que pediu. Uma negociação é feita de avanços e recuos para cada uma das partes.

Daí que a estratégia “radical” do Syrisa faça sentido. Além de que tem toda a razão em se recusar a negociar com os funcionários da troika exigindo falar de igual para igual. De facto, ouvir, por exemplo, o chefe da troika para Portugal dar ordens ao governo português para que faça mais cortes, despeça funcionários, mude leis, etc. não é um “conto de crianças” é um filme de terror. Mas o primeiro-ministro gosta da troika, deve ter um lado masoquista. É lá com ele, mas não chame nomes aos gregos.

E o ministro das  finanças grego, Yanis Varoufakis, tem razão ao  lembrar a jornalista da BBC que o entrevistou que questionar a maneira como a UE decidiu aprovar sanções à Rússia sem ouvir a Grécia não é o mesmo que questionar as próprias sanções. A jornalista não quis perceber a diferença ou então não sabe mesmo qual é a diferença.

Tsipras e o seu governo podem esbarrar com a intransigência cega dos seus parceiros europeus. Podem ter de sair do euro, podem entrar na bancarrota. Pode ser uma “tragédia grega” como antecipam as pitonisas cá do burgo. Mas uma coisa a Grécia já conseguiu: mostrar que mesmo pobre e cheio de problemas um pais e um povo podem manter a dignidade.

Não, não somos a Grécia. Somos o país de Passos Coelho, o pais onde os alentejanos dizem  “quanto mais a gente se agacha mais o cu lhe aparece”.

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2 respostas a O “conto de crianças” ou o velho provérbio “quanto mais te baixas mais o rabo te aparece”

  1. A quem não passou pelo PREC será util usar a enorme facilidade que hoje está dis ponivel e ganhar umas boas horas a ver o que foi dito, afirmado, declarado e feito e os resultados reais (banca rota de 1983)- talvez ajude a fazer previsoes sobre o Grecia.. è que aqui o FMI diz o que muitos não concordam, mas que parece evidente: a reforma nem metade está feita.

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