Os gregos voltaram à rua depois de o BCE lhes ter apertado o garrote

Varoufakis “tem um currículo científico que supera o conjunto dos sinais de pensamento publicados pelo conjunto dos seus colegas do Eurogrupo”  (Viriato Soromenho Marques, DN, 05-02-2015)

Parte da explicação para as posições do BCE e da Alemanha contra as propostas do governo grego encontra-se no facto de não aceitarem que a Grécia possa mostrar que existe alternativa à política de austeridade sem fim que a troika impôs à Grécia, a Portugal e à Irlanda. E os burocratas do BCE, da Alemanha e do FMI ainda aceitam menos que a alternativa surja de um tipo que se apresenta perante eles –  que se julgam os donos da Europa – sem gravata, camisa de desporto, de botas e que viaja em classe turística.

Varoufakis foto

Ainda não os ouvimos contestarem as propostas de Varoufakis com argumentos sólidos, apenas os ouvimos invocarem “regras”,  mesmo que  saibam  que essas “regras” não são realistas, nem susceptíveis de serem cumpridas, nem  resolvem os problemas que carecem de solução.

O fundamentalismo alemão na  imposição da austeridade à Grécia e a Portugal é uma séria ameaça à democracia. Porque se a Grécia for “sufocada” e não tiver  oportunidade de mostrar que as suas propostas lhe permitirão cumprir os compromissos  com um programa diferente daquele que lhe foi imposto pela troika, os cidadãos gregos e de outros países europeus concluirão  que a democracia europeia é afinal uma ficção e que o seu voto não vale nada. Perguntarão então, para quê votar se os burocratas que mandam na Europa impõem as suas regras nos países onde elas provocaram pobreza e  miséria, qualquer que seja o voto dos cidadãos?

Atenas na rua apoia ao TsiprasOs gregos voltaram à rua depois de o BCE lhes ter apertado o garrote. Reafirmaram o apoio a Tsipras que lhes retribuiu com um discurso forte e corajoso, reafirmando a justeza das posições do seu governo, sem arrogância mas também sem subserviência. Os gregos deram a resposta e, coisa rara, voltaram à rua para apoiarem o seu governo.

Custa ver o português Vítor Constâncio na cúpula do BCE alinhar com a chantagem à Grécia. Para que serve então ter  portugueses em instituições internacionais se  em momentos-chave tomam partido pelo lado que defende os interesses dos mais fortes?

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5 respostas a Os gregos voltaram à rua depois de o BCE lhes ter apertado o garrote

  1. Maria diz:

    Quem faz comentários como Spartacus não percebe nada do que se passa à sua volta, só percebe o ódio à alternativa. Quando acordar do lindo sonho em que pensa estar a viver, perguntar-se-á, como foi possivel deixar isto acontecer.Tal como os alemães se perguntaram como foi possivel terem permitido o holocausto.

  2. llopes49 diz:

    Deixem Viver a Grécia ,e esqueçamos os “competentes” Portugueses que são “incompetentes quando cá estão .

  3. akismet-661de4abe3d31e0ac9b708e5b0718275 diz:

    Por alguma razão o Constâncio foi escolhido.

  4. nuno diz:

    De que serve ter portugueses, sim, mas e de que serve ter socialistas se não… ?

    Afinal, que disse sobre a Grécia o vice-primeiro-ministro alemão? Que disse o presidente do Parlamento Europeu? De que partido são?

    Que diz, felizmente já por cá sem responsabilidades políticas, o neo-liberal Vital Moreira?

    E quem aprovou o neo-liberal e regrista Tratado de Lisboa e o Tratdo Orçamental? Neste momento, já deviam ter pensado no que aprovaram, não? Galamba, Nuno Santos são alguns dos que já há muito perceberam estar em causa, mas o hegemónico e detentor do poder continua a manter a social-democracia sequestrada, e até a sugerir os piores elementos possíveis para Belém.

  5. Spartacus diz:

    Os rapazes da agremiação Syriza, mais os seus parceiros que “descobriram”que “judeus gregos pagam menos impostos que outros cidadãos”, tem vindo a provocar os restantes países da UE com o fito de serem corridos da zona euro, o que me parece inevitável, mas arranjando o tradicional bode expiatório, o “inimigo externo”, especialmente o “inimigo germânico”. Não foi certamente por acaso – “acasos” destes não há – que o primeiro acto oficial do sr. Tsipras tenha sido o de prestar homenagem aos gregos fuzilados pelos nazis. Estava dado o mote. Que passem muito bem fora do euro, fora da UE e, quem sabe, aliados dos “tradicionais amigos” Albaneses e sob a pata – pesada – do sr. Putin. Ontem já era tarde.

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