Uma notícia destas devia fazer soar campainhas

A coisa é séria e interessa a todos os democratas, sejam de direita, de esquerda, do centro ou de outro “lado” qualquer. Esqueçamos o visado que, desta vez, é Paulo Portas.  Podia ser qualquer outro. É disso que se trata: “Escutas” ou “intercepções telefónicas”, como os do meio gostam de dizer.

São transcrições de escutas com erros, que deturpam completamente as palavras dos escutados e que levantam a questão de saber que competência, que preparação, que idoneidade têm as pessoas que fazem as transcrições. Importa saber se se trata de  gente inculta ou se é  má fé. Porque as escutas têm servido para condenar pessoas. Por isso é tão grave saber que elas são mal feitas ou manipuladas.

A notícia vem na primeira página do Expresso. A Procuradoria-Geral da República não pode ignorá-la. E a ministra da Justiça terá certamente uma palavra a dizer. Os portugueses têm o direito de saber se outras escutas de que temos conhecimento padecem de erros desta natureza e o que acontece a quem os pratica. Ou se, pior ainda, os procuradores e os juízes que as usam não verificam a  sua fidedignidade.

Este caso tem pelo menos o mérito de mostrar que existem todas as razões para duvidar do abuso das escutas e sobretudo no peso que elas possuem nas decisões judiciais.

Expresso, 07-02-2015

Expresso, 07-02-2015

 

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3 respostas a Uma notícia destas devia fazer soar campainhas

  1. Pingback: Jornalismo de fait-divers deixa de lado o essencial | VAI E VEM

  2. J. Madeira diz:

    Naturalmente, as escutas nunca deviam ser usadas como prova em tribunal,
    quanto muito podem ser auxiliares de uma investigação até porque, antes da
    transcrição podem ser adulteradas/manipuladas para incriminar os escutados!
    Qualquer técnico de som sabe como “trabalhar” a fita ou o CD depois, há que
    aferir a qualidade da transcrição onde pode acontecer o caso falado!!!

  3. Eu espero que a deputada Ana Gomes não banalize com chicanas as suas intervenções.È que não são sufecientes as vozes desassombradas na vida pública para perdermos as que ainda há em saloiadas em ano de elições.

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