A “vingança” de Vítor Bento

card_vitor_bento_3_160714_fotor-190x190Vítor Bento, o “economista-filósofo, como alguns jornalistas gostam de o apresentar, escreveu no jornal electrónico Observador um texto demolidor das políticas europeias e muito crítico dos efeitos dessas políticas, É um texto que revela um outro Vítor Bento que contraria o Vítor Bento alinhado com o governo na defesa da austeridade. É um Vitor Bento desconhecido mais lúcido que afirma coisas como estas:

A situação de 2014 é,  (…) do ponto de vista macroeconómico, pior do que era em 2008 e caracteriza-se por um duplo desequilíbrio – interno (elevado desemprego) e externo (excedente). 

“(…) o mau desempenho da zona euro durante a crise não era inevitável; esse desempenho poderia ter sido melhor;  se o não foi, tal não pode deixar decorrer da política económica seguida; e,  por conseguinte, tudo sugere que a política económica usada pela zona euro para responder à crise foi desadequada.

“(…) A zona euro dedicou mais de um terço da sua vida a um ajustamento desequilibrado, que empobreceu toda a zona. Os custos desse ajustamento recaíram quase exclusivamente sobre os países mais pobres.”

Vitor Bento foi “maltratado” pelo governo, por interposto Banco de Portugal, desautorizado e abandonado quando se demitiu de presidente do Novo Banco pouco tempo depois de ter aceite suceder a Ricardo Salgado na presidência do BES. Depressa passou de bestial a besta, alvo de “piadolas” sobre ser ou não ser banqueiro..

Foi “repescado” para as funções de presidente da SIBS que desempenhava antes  da aventura do BES e Cavaco Silva recuperou-o também para conselheiro de Estado. Eclipsou-se publicamente até agora mas regressou com estrondo. Este seu texto  a que chamou “Eurocrise: uma outra perspectiva”  podia bem chamar-se “A vingança serve-se fria”!

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4 respostas a A “vingança” de Vítor Bento

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  2. JR diz:

    Não sei se se trata de um vingança. Mas é seguramente uma excelente estratégia de sobrevivência. A beleza da politica está na falta de memória das pessoas. Por isso quem aposta em defender uma coisa e o seu contrário, está sempre garantido. No futuro próximo Bento será recordado pelo que quiser. Ele vai esperar pelos acontecimentos e depois filtrará o seu cv como lher der mais jeito. É certo que só os burros não mudam de opinião. O que é espantoso é que depois de cenas destas continue a haver quem acredite que a economia é uma ciência.

    JR

  3. Rodrigo Maia diz:

    Há de me desculpar, Estrela, mas este Vitor Bento não é novo nem outro nem lúcido; sê-lo-ia se tivesse escrito este artigo há 3, 4 anos. Agora é um Vitor Bento a tentar ficar à tona.

  4. jose neves diz:

    O problema não é ser um caso de vingança, que o é nitidamente, contudo o que sobressai é a desonestidade intelectual que ressalta da sua nova posição totalmente oposta a tudo quanto defendeu até à meses atrás.
    E mais, é não só a revelação de sua total desonestidade intelectual como a revelação de que a sua defesa de uma desavergonhada e brutal austeridade sobre os portugueses pobres e remediados, não era de um economista; antes era de um mercenário,
    Quem se segue; cavaco não?

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