Falando de Justiça: quem investiga os investigadores?

DN capa vizinho de SócratesO Diário de Notícias publicou há dias esta peça sobre a qual seria normal terem surgido desenvolvimentos noutros jornais e televisões, como costuma acontecer quando se pressente que há matéria para aprofundamento ou, pelo menos, para questionamento. Ora, tanto quanto é possível verificar por uma busca na internet, apenas um agregador de notícias lhe dá divulgação.

Eventualmente, se não fosse o isco “Sócrates” possivelmente nem haveria notícia. E no entanto, tão relevante é o que o inspector da Polícia Judiciária (PJ) que está detido em Évora diz no seu blog (e o DN reproduz) sobre a própria PJ, como o facto de nenhum jornal (pelo menos até agora) ter pegado no assunto.

E, no entanto, o relato do inspector da PJ, João de Sousa, cuja notoriedade lhe advém do facto de se ter tornado “vizinho de Sócrates”, revela um “ambiente” promíscuo e nada edificante na PJ (de Setúbal) e no modo de actuação de alguns dos seus membros, entre os quais a inspectora coordenadora  Maria Alice Fernandes, responsável da PJ por casos mediáticos como o Freeport e o Meco.

Trata-se de mais uma “machadada” na imagem da Justiça, a juntar a outros casos  de que se vai tendo conhecimento através de pessoas de dentro do meio judicial que decidem relatá-los em espaços fora dos meios de comunicação.

Dir-se-ia que existe um  “pudor” dos jornalistas de investigarem  processos e métodos de funcionamento dos agentes da justiça, limitando-se quase sempre a servirem de porta-vozes acríticos de fugas de informação e não se coibindo até de atitudes encomiásticas relativamente a certos personagens, a quem apelidam de “super juiz” ou “super procurador”, sem distanciamento e quase com subserviência.

Compreendem-se, embora não possam aceitar-se, as razões que levam hoje em dia os jornalistas a não  investigarem os procedimentos usados na investigação judicial. É que os casos de justiça, nomeadamente os que envolvem agentes políticos, garantem audiências seguras e daí a opção de muitos jornalistas de  não quererem pôr em risco as fontes judiciais que lhes asseguram acesso a informação que de outro modo não teriam.

Quando se fala de “jornalismo independecnte”, fala-se também, e sobretudo, de independência face às fontes de informação.

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Uma resposta a Falando de Justiça: quem investiga os investigadores?

  1. Abraham Chévre au Lait diz:

    Na Roma antiga nenhum patrício podia ser juiz.Para bom entendedor… Agora parece que, fora de Roma,não são super-homens, que não existem,mas super-juízes. Claro que isto é conversa de idiotas para idiotas. Se até os deuses aceites pelas gentes civilizadas são antropomórficos,como poderá aparecer,seja onde for,uma besta humana super? O ponto de vista que isto defenda tem que sair da posição de agachado e muito agachado! A perspectiva distorce-se e o efeito de aumento cresce na retina do pobre jacente. Toca a levantar e toca a pegar pelos cornos,cernelha e rabo todo o bicho que pense assustar cidadãos cordatos,mas LIVRES ! Para sustos já demos, e antes dos assustadores cá chegarem já cá estávamos. E cada um,em sua casa,vale tanto,que mesmo depois de morto são precisos quatro,para de lá o tirarem… palavras de Sebastião José de Carvalho e Melo.

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