O “super-juiz” e os segredos da justiça

É quase comovente saber que o “super-juiz” Carlos Alexandre é sensível ao convite de um jornalista para um almoço numa “tasca de grelhados” para discutirem o “perfil” que o mesmo jornalista queria fazer do juiz.

A revelação vem no Público e embora o tema da peça seja um processo em que o juiz foi acusado de violação do segredo de justiça, o que ressalta da leitura  é o “lado humano” do juiz que o levou a  aceitar o convite  do jornalista.  O juiz não resistiu a ajudar a compôr o seu “perfil”. Afinal, se  até o seu pequeno almoço é objecto de notícia porque não dar mais umas dicas ao jornalista?

Segredos de justiça o juiz não dá e por isso o processo de que fala o Público foi arquivado. Pode dar outras coisas da justiça, que embora não estejam em segredo servem para ir entretendo jornalistas. Carlos Alexandre

Leia-se  este excerto da peça do Público, escrita com base no processo em que o juiz foi ouvido como testemunha:

O repórter queria fazer um perfil do juiz e recorreu a [um] magistrado, que conhecera num curso de medicina chinesa e sabia ser amigo do juiz. Há muito esquivo à comunicação social, Carlos Alexandre declinou colaborar na elaboração do artigo, alegando que vários jornais já tinham esmiuçado os seus hábitos, ao ponto de descreverem aquilo que supostamente comia ao pequeno-almoço. Mas acabou por concordar em ir à tasca de Moscavide um dia depois de Ricardo Salgado ter sido detido e de o ter interrogado.

Os relatos jornalísticos sobre “o lado humano” do juiz Carlos Alexandre são sempre enternecedores. De tal maneira que começam ou acabam sempre a chamar o juiz de “super-juiz”. Desta vez, foi assim:

“Este não será o único processo do super-juiz envolvendo violação do segredo de justiça.”

Pois não, não será o único, mas um “super-juiz” pode bem com todos os processos.

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3 respostas a O “super-juiz” e os segredos da justiça

  1. Pingback: Isto está parecido com uma república de juízes | VAI E VEM

  2. Maria Versos diz:

    Já estão a tentar a fazer a cama ao desgraçado do Juiz. Não admira, num instante fizeram a cama ao Siryza.
    O que é de facto importante é que este juiz não tem medo de julgar os grandes corruptos deste país. E em vez de o ajudarem a levar por diante o seu trabalho, andam com manobras de diversão para ver se o fazem caír.
    Triste país o nosso.

  3. A.M. diz:

    Eu não vejo nenhum super-juiz, vejo é muitos super-parolos.
    Ah, se o ridículo matasse!…

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