O dilema do primeiro-ministro

Passos Coelho desce as escadasO pior nesta história das dívidas do primeiro-ministro à Segurança Social são as suas explicações e a sua atitude. Cada vez que fala sobre o assunto, o primeiro.ministro enterra-se um pouco mais, seja pelo que diz, seja pela forma como o diz.

A permissividade que o primeiro ministro parece aceitar para si próprio, contrariando o seu discurso político e os sacrifícios que impôs ao país, nomeadamente em matéria de encargos para quem trabalha, é chocante.  Quem o ouvir pode até pensar que é natural ele não saber que tinha de pagar à Segurança Social e  mesmo depois de saber que tinha dívidas não as ter pago imediatamente e só o ter feito porque um jornal o contactou antes de publicar a notícia.

O escrutínio permanente a que os políticos estão hoje sujeitos não se compadece com a tentativa de enterrar, sem explicações, um caso como este. E o PSD, ao secundá-lo com atitudes “mais papistas que o papa” (as palmas dos deputados nas jornadas parlamentares foram quase obscenas) fragiliza a sua posição perante os cidadãos, ao menorizar o comportamento do seu dirigente máximo, como se não cumprir a lei fosse uma coisa de somenos importância num primeiro-ministro.

Fazem mal os políticos se pensarem que o exercício de um cargo político impede uma revisitação do seu passado, nomeadamente em questões cívicas e éticas como sejam o cumprimento de obrigações legais.

Pedir desculpa aos portugueses, esclarecer rapidamente todas as questões em aberto é o mínimo que o primeiro-ministro ainda pode fazer. Mas os danos na sua reputação e na sua credibilidade podem já ser irremediáveis, de nada lhe servindo desculpar-se com cabalas políticas e atirando Sócrates “à cara” do PS.

O primeiro-ministro devia colocar a si próprio a questão de saber se prefere continuar a governar o País com a imagem que lhes está colada, de um político irresponsável, que não conhece as leis do país, incapaz de pedir desculpa e sem pejo de acusar um antecessor detido e  caído em desgraça, ou se prefere ser recordado como um primeiro-ministro que tendo errado pediu desculpa e se demitiu por ter verificado que não tinha condições para continuar. Veremos como vai o primeiro-ministro resolver o dilema que lhe está colocado.

Há momentos em que o voluntarismo não basta para mudar o rumo dos acontecimentos.

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3 respostas a O dilema do primeiro-ministro

  1. Vicente Silva diz:

    Para além da credibilidade interna existe a externa que não é menos importante. Esta atualização do seu cadastro em matéria de fugas ao fisco não deixará certamente de ser avaliada pelos seu “partners” europeus em reuniões futuras, para além do próprio se sentir constrangido em qualquer situação.
    Quem não estará particularmente muito satisfeita em aparecer no retrato a seu lado será a impoluta e austera “mamã” Merkel pelo mau exemplo que o seu protegido transmite aos seus contribuintes.

  2. llopes49 diz:

    Deveria de colocar a si próprio a pergunta ,como raio sou pm ?.

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