VAI E VEM

Um jornalismo tablóide exige políticos tablóides. Quem não se submeter às regras, paga cara a ousadia!

Um líder partidário não tem que andar a reboque das agendas jornalísticas, sobretudo quando  estas se alimentam de declarações e de comentários a declarações, criando assim uma espiral de pseudo-eventos que transformam os políticos em robots.

António Costa tem sido alvo de críticas exacerbadas porque teima em seguir a sua própria agenda e falar quando acha que o deve fazer e sobre assuntos sobre os quais tem algo a dizer. Ora, isto devia ser normal mas não é.

Os repórteres que hoje seguem os políticos à entrada e à saída dos locais onde  estes se dirigem não aceitam que eles não se enquadrem nas suas lógicas e não falem do que os jornalistas querem que eles falem.

A questão das dívidas do primeiro-ministro é um assunto sério e merece ser tratado com seriedade. O PS e os restantes partidos da oposição fizeram o que em democracia se espera que façam: exigiram ao PM que se explique, no Parlamento ou em momento adequado, não em ambiente de exaltação partidária, como o primeiro-ministro fez nas jornadas parlamentares do PSD onde foi recolher os aplausos de que necessitava para conforto moral.

Mas a personalização da política e a tabloidização do jornalismo exige mais. Exige a voz dos líderes, neste  caso, de António Costa, e querem-na já, sem esperar pelos esclarecimentos que faltam e que permitirão avaliar a gravidade da situação e sobretudo saber se o primeiro-ministro tem condições para continuar a governar o País.

Mas os jornalistas não podem esperar porque o tempo deles não é o tempo da análise nem da reflexão. É o tempo do flash, das redes sociais, da informação ao segundo. O fluxo noticioso não se compadece com silêncios  e se um político não fala quando os media querem que ele fale, perdeu a sua oportunidade e torna-se alvo de crítica.

Esta manhã, na Antena 1, o “faltoso” já não era Passos Coelho e as suas toscas explicações sobre as dívidas. O alvo era António Costa porque não falou quando os jornalistas e alguns socialistas queriam que ele falasse.

Acontece que António Costa decidiu falar. Mas a Antena Aberta, na Antena 1,  anunciada para discutir  que António Costa não tinha falado, já estava programada  e então António Costa foi o bombo da festa. Esperam-se agora novas críticas porque falou, ou porque falou tarde, ou porque não disse exectamente o que alguns queriam que ele dissesse.

Um jornalismo tablóide exige políticos tablóides. Quem não se submeter às regras, paga cara a ousadia!