Alguns dirão, perante este título, “o calvário é nosso”. É verdade, mas é também, neste caso voluntáriamente, o calvário de Passsos Coelho.
Quem tenha acompanhado as notícias sobre as dívidas do primeiro-ministro desde há mais de uma semana e verificado que não há um dia sem que todos os jornais, todas as rádios e todas as televisões, as redes sociais e tudo onde se pode escrever e falar, não citem, não discutam, não falem das dívidas do primeiro-ministro.
Os episódios que todos os dias surgem brotando não se sabe bem donde, culminaram hoje com o debate no Parlamento. Foi penoso ver e ouvir Passos Coelho, arrastando as explicações, humilhando-se uma vez mais perante os deputados e as galerias que clamaram pela sua demissão, e perante nós todos que o vimos pela televisão, à procura das palavras e do tom com que enfrentar as acusações implacáveis da oposição, sobretudo de Jerónimo de Sousa, o mais genuino na argumentação com que mostrou ao primeiro-ministro como a sua situação se tornou insustentável.
Passos Coelho prefere o calvário em que se meteu e a que podia ter-se e ter-nos poupado se tivesse percebido que a perda de credibilidade que sofreu se agrava cada dia e não é recuperável nos tempos mais próximos.
O calvário do primeiro-ministro não é apenas penoso para si próprio. É também para o País e para os portugueses que, gostem ou não, ele representa nos fóruns nacionais e internacionais. Passos Coelho é neste momento um primeiro-ministro abatido pela vergonha de ter falhado porque exigiu aos seus concidadãos que cumprissem com sangue suor e lágrimas o que ele afinal não tinha cumprido.
Se eu fosse Fundamentalista dizia : Mentir é Pecado,mas sou só um Contribuinte cumpridor e digo : Mentir é muito feio .
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