Uma ética para o comentário político, precisa-se!

Paulo Morais e Marinho Pinto CMTVEsta notícia levanta questões importantes relacionadas  com a qualidade e a credibilidade da informação que circula nos media, nomeadamente em algum do chamado “comentário político”.

O que aconteceu neste caso, com um académico que é também comentador televisivo, colunista de jornais e representante de um organismo internacional que apura e divulga os índices da percepção da corrupção em diversos países (Transparência Internacional), que toma como factos as suas próprias opiniões proferidas nesses espaços mediáticos, sem as sustentar documentalmente, e as envia a uma Comissão Parlamentar de Inquérito para valerem como prova de factos graves cometidos por determinadas pessoas, causa a maior perplexidade e preocupação.

Abstraindo da pessoa em concreto, a verdade é que as opiniões e comentários veiculados nos media por alguns comentadores da área política, académica ou profissional, são depois objecto de divulgação por parte de jornalistas e outros comentadores noutros media. Por força dessa multiplicação perdem muitas vezes a característica de  meras opiniões para passarem a ser encaradas como factos. De tal maneira, que os cidadãos mais desprevenidos (e mesmo os próprios  autores, como parece ter sido o caso nesta notícia) passam a confundir as suas opiniões com factos reais.

O que é preocupante não é um comentador ter opiniões, já que é para isso que é pago, mas sim a ausência total de escrutínio do  comentário que produz, no que respeita ao rigor e seriedade com que o sustenta, por parte dos responsáveis dos media onde ele exerce esse “ofício”. Não sendo confrontados e responsabilizados pelos seus escritos e falas, os comentadores gozam de uma impunidade inaceitável em democracia. E, no entanto, criam percepções, influenciam interpretações e (de)formam visões da realidde.

A avaliar pelas aleivosidades que se lèem e ouvem em jornais, rádios e televisões em espaços de comentário político, fica a convicção de que se trata de um poder sem responsabilidade.

E urgente impôr uma ética ao comentário político!

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8 respostas a Uma ética para o comentário político, precisa-se!

  1. Pingback: Alguém falou em ética do comentário? | VAI E VEM

  2. Diamantino CC diz:

    Se calhar a ética tem de começar nos próprios entrevistadores e jornalistas ( nem sempre os dois são mesmo), não só perante estes opinadores, mas com o que escrevem e dizem. Uns papagaios daquilo que o governo quer, outros em vez de relato de notícias, dão a sua opinião dos factos. Alguns usam por exemplo o vocabulário tipo: O “sistema socialista” e não dizem ” o sistema capitalista” .
    Como dizia um jornalista argentino numa conferência sobre comunicação, os jornalistas na Europa não sofrem censura, eles autocensuram-se, “porque a liberdade já não mora por aqui” digo eu

  3. Isabel diz:

    Faça um texto com: É urgente impôr uma ética aos políticos.

  4. Pingback: Uma ética para o comentário político, precisa-se!

  5. Fernanda Gomes diz:

    A única obra que conheço de Paulo Morais foi a breve passagem pela Câmara Municipal do Porto, no primeiro elenco liderado por Rui Rio. Na campanha eleitoral prometera “acabar com os arrumadores de automóveis no espaço de um ano”. Se tal não conseguisse, demitir-se-ia, prometeu. Nem deixou de haver arrumadores, nem ele se demitiu. Saiu bastante mais tarde, por outras razões.
    Depois, enveredou pela carreira de pregador de moral e lançamento de suspeições. Só isto lhe dá a projecção que tem nos media miseravelmente populistas. Pela sua carreira…oh, não. Que crédito tem ele?

  6. Antonio Ribeiro diz:

    Isto está podre, podre, podre!!!!!

    No dia 12 de março de 2015 às 19:03, VAI E VEM escreveu:

    > estrelaserrano@gmail.com posted: “Esta notícia levanta questões > importantes relacionadas com a qualidade e a credibilidade da informação > que circula nos media, nomeadamente em algum do chamado “comentário > político”. O que aconteceu neste caso, com um académico que é também > comentador “

  7. EGR diz:

    A mim parece-me igualmente urge que a dita comunicação quase a cada noticia que divulga corra a traz de um comentador passando um atestado de menoridade aos ouvintes ou telespectadores que sem tais iluminados não perceberiam nada sobre os acontecimentos.
    E quanto a etica nem é bom falar

  8. llopes49 diz:

    Gosto da ultima frase.

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