Jornalismo credível requer empresas sãs

ADiario economico logo.jpg demissão do director do Diário Económico, António Costa, teve natural impacto nos media, na medida em que se trata de um jornal importante pela influência que detém nos meios político e económico-financeiros.

O seu ainda director é ele próprio um jornalista influente, não apenas  pelo cargo que ocupa desde 2008 nesse jornal, um período  em que os temas de economia e finanças dominaram o País, mas também porque é comentador destacado da televisão e da rádio públicas.

Os motivos da  sua demissão de director do Diário Económico não foram divulgados publicamente, apenas se sabendo que foi o próprio a tomar a iniciativa. No entanto, a demissão  não será alheia à situação do grupo Ongoing, detentor do jornal.

A Ongoing  tem sido notícia desde há anos, mercê dos casos polémicos envolvendo figuras públicas da política, dos negócios, e mesmo da maçonaria e da segurança, Ficou célebre a  pergunta “O que é a Ongoing?

Na edição de 21 de Março  o Expresso publicava um dossiê sobre a Ongoing, no qual deixa um retrato nada recomendável do Grupo e do seu sector de media onde se desraca o Diário Económico. Eis dois excertos desse dossiê:Exoresso Ongoing n apresenta contas

EXpresso Ongoing falida

 

Estes excertos chamam a atenção para a necessidade de tornar transparente a informação sobre os grupos de comunicação social, já que se afigura insustentável que um grupo detentor de órgãos de comunicação social possua as fragilidades atribuídas pelo Expresso à dona do Diário Económico.

De facto, pode perguntar-se qual a autoridade e a credibilidade de um jornal cujo proprietário  “não apresenta contas desde 2012″ e sobre o qual é “escassa a informação sobre a situação financeira”?

Poderá o director de um jornal em tal situação, para mais tratando-se de um jornal de economia, sentir-se confortável e com “moral” para criticar e comentar governos e empresas que falhem as suas contas?

A  demissão do director do Diário Económico pode não ter nada a ver com a situação relatada pelo Expresso sobre o grupo Ongoing, mas poderá legitimamente ser lida também a essa luz e, nesse particular, como um gesto de dignidade.

Conhecer os constrangimentos e as dependências das empresas de media é  um passo importante para conhecer também as motivações e a  independência do jornalismo.

 

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2 respostas a Jornalismo credível requer empresas sãs

  1. A história da ONGOING – É a historia do PADRINHO poderoso que não quer que o afilhado o seja. E assim os cavalos TAMBÉM SE ABATEM E FICAM OS ABUTRES

  2. Abraham Chévre au Lait diz:

    Como o Outro,não percebo nada de Finanças e de Economia também. Mas a cara e o tom do jornalista demissionário nunca me convenceram. Quem não se ri não se abre aos outros, e esta nossa Economia e as Finanças não justificam,largamente,umas boas gargalhadas? Digo eu,confessado leigo,mas com cara triste ainda se é mais gozado…

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