Que raio de país é este?

Nunca mais esqueci a frase de um sindicalista cujo nome não recordo que no discurso do 1.º primeiro de Maio após o 25 de Abril de 74, começava todas as frases com a pergunta, “Que raio de país era aquele…?” a que se seguia a descrição de situações  inaceitáveis vividas durante o salazarsmo e o maecelismo.

Hoje em dia, apetece perguntar também “que raio de país é este” onde muitas coisas que não deviam acontecer estão a acontecer. Hoje soube-se de outra, através do jornal i, logo ampliada por muitos outros.

Segundo este jornal, o ex-ministro Miguel Macedo não conhece o processo nem as escutas nem o acórdão do Tribunal da RElção contra a sua pessoa por motivo dos vistos gold. Tudo isso surge escarrapachado no jornal i.

Apetece perguntar como o sindicalista perguntava em 1974, “Que raio de país é este, em que a justiça fornece aos jornais elementos de processos contra pessoas que não são ouvidas nem lhes são dadas a conhecer as acusações contra elas?

Que raio de país é este em que a Justiça não é capaz de guardar o segredo de justiça que ela própria impõe?

Que raio de país é este em que a Autoridade Tributária não é capaz de proteger o sigilo fiscal dos cidadãos e protege só o de alguns, entre os quais o do  membro do governo que a tutela?

Que raio de país é este em que mais de duas mil pessoas ligadas a empresas privadas têm acesso aos dados fiscais dos cidadãos?

Que raio de país é este?

Miguel Macedo vistos gold capa jornal i Abril 2015

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9 respostas a Que raio de país é este?

  1. nuno diz:

    O desrespeito pelas formalidades é próprio das ditaduras e dos fascismos, Cristóvão. Mas aos pragmáticos a decência cívica passa demasiadas vezes ao lado. Por causa das excepções, pasta a corrupção sob senhores do género.

  2. Como A.M. aponta dar destaque principal aos aspectos formais(ate com falsidades) passando ao lado do principal – os crimes em si, parece-me desculpas esfarrapadas de cego por opção.

  3. llopes49 diz:

    Me engana que eu gosto.

  4. J. Madeira diz:

    Qual é a admiração? Há muito que se verifica que não vivemos num
    Estado de Direito, se assim fosse já a ministra da Justiça estava a
    tratar da horta há que tempos e, com ela, uma série de governantecos
    e seus ajudantes … bastava existir um Presidente da República !!!

  5. A.M. e porque é que Miguel Macedo não conhece o acórdão?

  6. nuno diz:

    Que raio de país é este em que, perante dislates como os que sucedem a Miguel Macedo ou José Sócrates, pensadores e operacionais do Direito do maior partido na oposição propõem prender jornalistas por fazerem manchetes em vez de mexer nos guardiões primeiros e legais do segredo de justiça?

    Que raio de país é este em que um dos ditos operacionais – que até já correu a bastonário da ordem – vocifera contra os jornalistas mantendo avenças e colaborando com casas daquilo que é, dizem alguns, a mais mal cheirosa casa do jornalismo nacional?

    Que raio de país é este que tais doutrinas gera?

  7. jpferra diz:

    Perguntei-me a mesma coisa. Onde anda o presidente da republica, aquele que jurou garantir os direitos e deveres dos seus cidadãos.

  8. A.M. diz:

    Mãe santíssima! Que segredo? As escutas e os encontros constam do… acórdão da Relação.
    Que segredo, insisto?
    E se falássemos (falasse, E.S.) de… outra coisa?

  9. “Tenho aqui referido: o que é justo é justo.
    Agora não podemos deixar que o ódio ao personagem político tolha a capacidade de perceber que o justicialismo não é justiça. Assim como a devassa e o julgamento público e sumário, com o apoio no mínimo negligente da justiça, não é um sinal de democracias maduras. Isto está podre.
    Estes atropelos foram diários até se apanhar alguém com força suficiente para ocupar capas de jornais dias a fio. Neste momento tudo fica claro. Não vivemos tempos de justiça politizada. Vivemos tempos de impunidade democrática. O justicialismo condicionará as políticas, ameaçando corruptos e honestos, com a devassa e julgamentos populares e sumários, sem que a democracia possa através do voto mudar os justiceiros. Não é claro isto para qualquer pessoa que analise, sem ódios ou paixões, o actual momento?”
    27 de Dezembro de 2014

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