VAI E VEM

De que Presidente precisa o País?

A avaliar pela discussão pública em torno das “condições” necessárias para que alguém seja eleito Presidente da República, a principal dessas condições é ser conhecido.

De facto, em Portugal, assim é. O perfil e o currículo dos candidatos não é geralmente objecto de debate, limitando-se oe media quase sempre à apresentação de breves notas biográficas. A não ser que tenham tido algures no seu passado problemas com a justiça, com o fisco,  alguma relação extra-matrimonial, um filho ou filha “ilegítimo”, um candidato considera-se em condições de entrar na corrida sem grandes sobressaltos.

É então altura de proceder às  declarações da praxe – “penso pela minha cabeça”, não sou candidato de nenhum partido” –  e de apresentar a sua visão para o País. Em geral, pouco as distingue de um para outro candidato. Conforme se situem mais à  esquerda ou mais à direita os candidatos demarcam-se ou apoiam, velada ou claramente, as políticas do governo em funções.

No decorrer da campanha os candidatos são avaliados pela sua performance – já começou a dizer-se, por exemplo, sobre Henrique Neto e Sampaio da Nóvoa,”veremos como se comportam em campanha”, isto é, se o candidato se revelar “matador”, for expressivo e capaz de criar bons sound bites, se tiver boa voz e boa aparência, tem meio caminho andado. Se não for “mediático” pode arrumar as botas.

Ora, atenta a experiência dos dois mandatos do actual Presidente, seria importante que os candidatos fossem questionados sobre a maneira como pensam exercer os poderes constitucionais do PR, que diagnóstico fazem do País, que áreas merecerão da sua parte uma especial atenção, como se propõem garantir os direitos constitucionais dos cidadãos em áreas como a saúde, a educação ou a justiça. Em suma, que tipo de magistratura se propõem exercer.

Desde o 25 de Abril tivemos na Presidência da República um militar, dois políticos-advogados e um político-economista. No primeiro caso, apesar dos elogios agora muito em moda à presidência Eanes, o patrocínio a um partido político  – o PRD – a partir de Belém, não é exemplo recomendável, apesar de um mandato difícil e historicamente datado que ele cumpriu com zelo. Soares e Sampaio foram fiéis à herança republicana e à defesa dos valores da cidadania. Cavaco foi um presidente que se limitou a “assinar o ponto”, sem equidistância face ao governo e sem estatura intelectual nem visão para o País.

Que Presidente queremos agora? Talvez alguém que seja capaz de restituir aos portugueses a ideia de que o Presidente não é apenas um verbo de encher.